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7 em cada 10 lares no Brasil não quitam conta básica há mais de um ano

74% das famílias com dívidas de água, luz e gás têm débitos há mais de um ano. Norte e Centro-Oeste concentram os maiores percentuais


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 03/02/2026 - 14:22

energia
Foto: Marcello Casal JrAgência Brasil

inadimplência de conta  básica no Brasil deixou de ser pontual e tornou-se estrutural, com 74% das famílias que têm contas de água, luz e gás em atraso convivendo com esses débitos por mais de um ano. Levantamento da Serasa Experian revela que as dívidas essenciais figuram entre as mais difíceis de quitar, formando um estoque de inadimplência de longo prazo que persiste mesmo diante de tentativas de renegociação. O cenário é agravado pela inflação elevada, juros altos e perda de poder de compra.

O estudo aponta desigualdades regionais significativas. Estados da Região Norte, como Acre e Amapá, concentram as maiores proporções de inadimplência de conta básica, com esse tipo de débito respondendo por cerca de metade das negativações. No Centro-Oeste, Mato Grosso se destaca pelo crescimento dos atrasos, enquanto São Paulo lidera em volume absoluto no Sudeste, reflexo do tamanho de sua população.

Especialistas explicam que o ambiente econômico recente reduziu a margem de negociação das famílias, especialmente as de menor renda. O encarecimento do custo de vida força a hierarquização de pagamentos, adiando sucessivamente as contas de serviços essenciais. Multas e juros cumulativos ampliam o valor devido, transformando a dívida em um passivo permanente no orçamento doméstico.

O efeito comportamental também é relevante: quanto mais prolongado o atraso, menor a percepção de que a quitação é viável. Sem melhorias na renda real, políticas de alívio tarifário e condições macroeconômicas mais favoráveis, a inadimplência tende a seguir como uma realidade permanente para milhões de lares brasileiros, refletindo um desequilíbrio estrutural entre custos e capacidade de pagamento.