O estágio segue consolidado como a principal porta de entrada dos jovens no mercado de trabalho. Cada vez mais valorizado por empresas e estudantes, ele garante a experiência prática essencial para quem está começando a carreira. Dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) confirmam essa tendência: no primeiro bimestre de 2025, o número de vagas chegou a 990 mil, um crescimento de 54% em comparação com os 642 mil registros de 2023. Esse avanço mostra que, mesmo em um cenário de recuperação econômica gradual, a oferta de estágio ganha força e cumpre papel estratégico na empregabilidade juvenil.
Esse aumento no número de oportunidades reflete diretamente em outro dado positivo: a redução da população conhecida como “nem-nem”, formada por jovens que não estudam e não trabalham. Segundo o MTE, esse índice caiu para o menor nível desde 2012. Enquanto em 2012 o Brasil registrava 6,3 milhões de jovens nessa condição, em 2024 o número caiu para 5,2 milhões, sendo 1,9 milhão de rapazes e 3,3 milhões de moças. O avanço na empregabilidade e a ampliação de programas de estágio e aprendizagem são apontados como fatores fundamentais para essa melhora.
O impacto vai além dos números. A taxa de desemprego entre brasileiros de 14 a 24 anos caiu de 25,2% para 14,3% nos últimos cinco anos. Esse movimento significa que mais de 14,5 milhões de jovens estão ocupados no mercado de trabalho, superando os 14,2 milhões registrados antes da pandemia, em 2019. A cada ano, empresas de diferentes setores passam a enxergar no estágio uma forma eficiente de desenvolver talentos e preparar futuros profissionais, fortalecendo sua própria mão de obra.
A experiência prática dos estudantes confirma esse cenário otimista. A jovem Ana Carolina Borges, de 20 anos, cursando Arquitetura em Goiânia, destaca a importância do estágio para sua formação. Atuando na Sim Incorporadora há quase um ano, ela acompanha obras, projetos e decorados. “Quando estamos em sala de aula há sim um aprendizado importante, mas no estágio conseguimos aplicar o conhecimento e entender como funciona na prática. Isso faz muita diferença para a nossa formação profissional”, relata a estagiária, que considera a experiência uma verdadeira porta de entrada para sua carreira.
História semelhante vive Isabelly Carolinny, também de 20 anos, estudante de Administração na Yutá Incorporadora. Para ela, o estágio amplia horizontes e garante novas oportunidades. “A faculdade é o espaço da teoria, mas no ambiente de trabalho lidamos com situações reais, com problemas e soluções que só a prática proporciona. Além disso, a vivência no estágio ajuda a criar contatos importantes e acrescenta muito ao currículo”, ressalta. Isabelly lembra que a experiência será um diferencial em futuros processos seletivos.
As empresas também colhem resultados ao receber estagiários em suas equipes. O psicólogo e gerente de Recursos Humanos da Yutá, Jadson Medeiros, observa que os jovens trazem energia, inovação e disposição para aprender. “O estágio promove dentro da empresa a integração entre a prática do dia a dia e a inovação que vem dos centros acadêmicos. Eles chegam com a mente aberta e com vontade de fazer o melhor, o que influencia positivamente toda a equipe”, afirma. Segundo ele, muitos acabam efetivados, o que garante profissionais qualificados e comprometidos com a cultura da empresa.
Com os números em crescimento e histórias de sucesso que se multiplicam, o estágio se mostra cada vez mais como um caminho essencial para o futuro da juventude brasileira. Além de abrir portas para a primeira experiência profissional, ele contribui para reduzir desigualdades, fortalece a formação acadêmica e garante um elo direto entre empresas e estudantes, transformando o mercado de trabalho e gerando novas oportunidades.











