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Operação em Anápolis apura esquema de notas fiscais frias

Grupo alvo da operação também é suspeito de simular fretes fictícios em empresas da região


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 10/09/2025 - 08:28

O nome “Frete Fantasma” foi escolhido justamente por ilustrar a estratégia utilizada pelos criminosos: criar despesas inexistentes para justificar retiradas de recursos de forma fraudulenta

A Polícia Civil de Goiás, por meio do Grupo Especial de Investigação Criminal (Geic) de Anápolis – 3ª DRP, realiza nas primeiras horas desta quarta-feira (10) a Operação Frete Fantasma, que teve como objetivo desarticular um esquema de fraudes envolvendo a emissão de notas fiscais frias e a simulação de fretes fictícios em empresas da região.

De acordo com a corporação, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão domiciliar, além de um mandado de prisão preventiva e ordens de sequestro de bens ligados aos investigados. As medidas judiciais foram expedidas pela Justiça após a apresentação de provas que apontam para um prejuízo milionário causado às empresas-vítima do esquema.

O principal alvo da operação foi capturado em fuga, na cidade de Porto Ferreira, interior de São Paulo. A prisão ocorreu na rodovia, em ação da Polícia Militar paulista, que impediu a evasão do investigado. Em Goiás, os mandados foram cumpridos em Anápolis, Goiânia, Aparecida de Goiânia, Jaraguá, Morrinhos e Rio Verde, com apreensão de armas de fogo, munições e dispositivos eletrônicos.

As investigações revelaram que os suspeitos utilizavam sistemas de gestão de pagamentos das companhias para inserir fretes que nunca foram realizados. As notas falsas eram processadas como despesas legítimas, permitindo o desvio de valores que deveriam ser destinados ao funcionamento regular das empresas. A prática criminosa, segundo os investigadores, teria ocorrido de forma contínua, com impacto significativo na contabilidade e no caixa das organizações.

O Geic de Anápolis destacou que a ação de hoje faz parte de uma etapa avançada da apuração, resultado de meses de monitoramento, análise documental e quebra de sigilos. O nome “Frete Fantasma” foi escolhido justamente por ilustrar a estratégia utilizada pelos criminosos: criar despesas inexistentes para justificar retiradas de recursos de forma fraudulenta.

Além do prejuízo direto às empresas lesadas, a Polícia Civil aponta que esse tipo de crime afeta o mercado como um todo, já que distorce a competitividade e provoca impactos econômicos indiretos, especialmente em setores que dependem da logística de transporte.

Como funcionava o esquema da Operação Frete Fantasma

1. Criação de fretes falsos
Os investigados registravam viagens de transporte que nunca aconteciam, simulando serviços de logística.

2. Emissão de notas fiscais frias
As notas eram geradas como se fossem despesas reais das empresas, sem qualquer comprovação de transporte.

3. Indução de vítimas
Transportadoras e pessoas físicas eram convencidas a aportar valores em operações que não existiam.

4. Desvio dos recursos
O dinheiro era desviado para contas ligadas ao grupo criminoso, em vez de financiar fretes.

5. Prejuízo milionário
As fraudes somaram pelo menos R$ 15 milhões em perdas, segundo estimativas iniciais da Polícia Civil.

*Notícia atualizada às 14h30