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Como identificar riscos e agir na prevenção do suicídio: saiba como ajudar

Campanha reforça a importância de identificar sinais, acolher e buscar ajuda para reduzir casos de suicídio no Brasil


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 10/09/2025 - 17:46

Data mundial alerta para sinais, formas de acolhimento e caminhos de tratamento diante do aumento de casos no Brasil. Foto: Reprodução

Hoje, 10 de setembro, é celebrado o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio, data que integra as ações do Setembro Amarelo. Todos os anos, mais de 700 mil pessoas tiram a própria vida no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, os registros chegam a 14 mil casos anuais, com impacto crescente entre adolescentes e jovens. Esse cenário reforça a necessidade de campanhas contínuas de conscientização.

Especialistas afirmam que quase 100% dos casos de suicídio estão relacionados a transtornos mentais não diagnosticados ou tratados de forma incorreta. Depressão, transtorno bipolar e abuso de substâncias são os fatores de risco mais comuns. A maioria das mortes poderia ser evitada com acesso a informação de qualidade e tratamento adequado, pilares centrais na prevenção do suicídio.

A psicóloga Cristiane Pertusi destaca que a resposta deve ser coletiva. Segundo ela, a proteção da vida exige capacitação de profissionais de saúde, fortalecimento do SUS e apoio das famílias. O cuidado começa no ambiente doméstico, mas depende também de redes comunitárias e de políticas públicas que ampliem o acesso ao atendimento.

Outro ponto importante é a escuta ativa. Muitas pessoas em crise sentem que sua dor não será compreendida. Oferecer presença, sem julgamentos ou respostas prontas, pode abrir espaço para que elas percebam outras possibilidades além da morte. Acolher, validar a dor e encaminhar para serviços especializados são atitudes fundamentais para salvar vidas e fortalecer a prevenção do suicídio.

A OMS recomenda cinco ações práticas: reconhecer sinais precoces, perguntar de forma direta sobre ideação suicida, construir um plano de segurança, acionar serviços de saúde mental e reduzir o acesso a meios letais. Pequenos gestos, como retirar medicamentos em excesso do ambiente, supervisionar uso de substâncias e manter rotina de checagem, podem reduzir riscos.

Suicídio entre jovens cresce e exige atenção redobrada

Entre pessoas de 15 a 29 anos, o suicídio já é a quarta principal causa de morte no mundo. No Brasil, os números crescem de forma preocupante, especialmente entre adolescentes. O Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde de 2024 apontou aumento das notificações em todas as faixas etárias, mas com destaque para jovens entre 10 e 19 anos.

Pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF) ressaltam que a forma como a mídia trata o tema tem papel decisivo. O guia “Suicídio de Jovens na Mídia” orienta jornalistas a abordarem o assunto sem sensacionalismo, combatendo o estigma e incentivando a busca por ajuda. O material reforça que a comunicação responsável é parte da prevenção do suicídio.

Para especialistas, investir em políticas públicas voltadas à juventude é urgente. Mais do que campanhas pontuais, é necessário criar espaços de acolhimento, ampliar a rede de atenção psicossocial e envolver escolas e comunidades no processo. O Setembro Amarelo é um marco, mas o cuidado precisa acontecer todos os dias do ano.