A discussão sobre o retorno do horário de verão voltou a ganhar força no país após manifestações recentes da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). As duas entidades defendem que a medida, extinta em 2019, poderia gerar benefícios não apenas para a economia, mas também para o sistema energético nacional, que enfrenta desafios diante do aumento no consumo em horários de pico.
De acordo com a Abrasel, o horário de verão tem impacto direto sobre bares, restaurantes e estabelecimentos voltados ao lazer. Com o dia terminando mais tarde e a luz natural se estendendo pelo início da noite, os consumidores tendem a permanecer por mais tempo fora de casa, o que eleva o faturamento do setor em até 15%. A entidade também argumenta que a mudança favorece o turismo e a sensação de segurança nas ruas, já que a população circula em um ambiente ainda iluminado pelo sol ao fim da tarde.
O ONS, por sua vez, apresenta estudos técnicos que reforçam a viabilidade da medida. O operador aponta que a adoção do horário de verão poderia reduzir em até 2,9% a demanda máxima de energia nos momentos de maior consumo, especialmente entre 18h e 20h, quando o uso de iluminação artificial se soma ao funcionamento de aparelhos domésticos e de ar-condicionado. Essa queda no pico aliviaria a necessidade de acionar usinas térmicas, que além de mais caras, são também mais poluentes. O resultado, segundo os cálculos, seria uma economia próxima a R$ 400 milhões no custo de operação do sistema elétrico, além da diminuição da emissão de gases de efeito estufa.
Caso o governo federal decida aprovar a retomada do horário de verão, a medida voltaria a ser aplicada principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, onde a diferença de luminosidade entre as estações do ano é mais acentuada. O Norte e o Nordeste, por estarem mais próximos da linha do Equador, provavelmente ficariam de fora, como já ocorreu em edições anteriores. O período de vigência se estenderia entre outubro e fevereiro, com os relógios sendo adiantados em uma hora no início da temporada.
Apesar das vantagens apontadas, a proposta não é unânime. Críticos lembram que, nos últimos anos, os picos de consumo passaram a ocorrer em horários de calor intenso, no meio da tarde, quando o horário de verão já não produz economia significativa. Há também o debate sobre os efeitos na saúde, uma vez que a mudança pode alterar o relógio biológico de parte da população. Ainda assim, pesquisas recentes mostram que a maioria dos brasileiros é favorável ao retorno da medida, o que reforça a pressão para que o Palácio do Planalto tome uma decisão.
O tema deve continuar em pauta nos próximos meses, especialmente diante da expectativa de aumento no consumo de energia no verão. Se confirmada, a volta do horário de verão exigirá ajustes em transportes, escolas e empresas, mas poderá representar uma alternativa concreta para aliviar a demanda do sistema elétrico e aquecer setores importantes da economia.











