O incêndio que atinge a Chapada dos Veadeiros, no nordeste de Goiás, chegou ao Parque Nacional e já consumiu parte da vegetação nativa, matou animais silvestres e ameaçou casas na região. De acordo com o brigadista Ricardo Alberto, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), há suspeita de que o fogo tenha sido provocado de forma criminosa.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) informou que uma operação de combate aos incêndios resultou na prisão de duas pessoas e na aplicação de multas que podem chegar a R$ 50 milhões, na sexta-feira (10). Segundo o órgão, as chamas já duram mais de duas semanas e continuam sendo monitoradas por brigadistas, voluntários e agentes ambientais.
Moradores da região relatam momentos de desespero ao tentar proteger suas casas. À TV Anhanguera, a tapeceira Helan Ita contou que os vizinhos se mobilizam para salvar o que podem. “A gente está tentando salvar as casas. Tirando alguma coisa das casas, já colocamos no carro. O carro está em lugares onde não pega fogo”, relatou.
Apesar da gravidade da situação, o incêndio não atingiu as áreas de visitação do parque, conforme apuração da emissora.
O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros ocupa cerca de 240 mil hectares e abrange os municípios de Alto Paraíso de Goiás, Cavalcante, Teresina de Goiás, Nova Roma e São João d’Aliança. O local é um dos principais destinos turísticos e ecológicos do país, abrigando espécies ameaçadas de extinção, como o lobo-guará, o veado-campeiro e o tamanduá-bandeira.
De acordo com a Semad, mais de 100 mil hectares foram queimados até a última sexta-feira (10) na região nordeste de Goiás. A gerente de emergências ambientais, Sayro Reis, explicou que grande parte dos focos teve origem em pequenas propriedades rurais, de onde o fogo se espalhou rapidamente. “Um fogo colocado para queimar folhagem ou renovar pasto pode virar um grande incêndio que queima 30 mil hectares”, alertou.
O incêndio em Cavalcante foi contido após quase duas semanas de trabalho, mas outros focos seguem ativos na Chapada dos Veadeiros, desafiando o trabalho das equipes em meio ao terreno acidentado e às condições climáticas secas.








