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Policial penal que coordena presídios no Estado vai a júri popular em Anápolis

Roberto Luís Lourenço da Silva é acusado de tentativa de homicídio; caso envolve disparo ocorrido em 2018 e divergências em registro policial feito pelo próprio acusado.


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 05/11/2025 - 08:13

Policial penal
De acordo com a acusação, a vítima estava de costas, destravando o cadeado da residência, quando foi alvejada. (Imagem: Reprodução)

O policial penal Roberto Luís Lourenço da Silva, que atualmente ocupa o cargo de coordenador dos presídios estaduais, será julgado nesta quarta-feira (5) pelo Tribunal do Júri da Comarca de Anápolis. A sessão está marcada para às 8h30, no Fórum da cidade, e deve movimentar o meio jurídico e o sistema de segurança pública local, já que o caso envolve um dos nomes mais conhecidos da gestão prisional do Estado. Roberto responde por tentativa de homicídio qualificado, conforme prevê o artigo 121, §2º, inciso IV, combinado com o artigo 14, inciso II, do Código Penal.

O processo teve início a partir de um episódio registrado na noite de 6 de julho de 2018, no bairro Recanto do Sol, região Norte de Anápolis. Segundo a denúncia do Ministério Público, o policial penal Roberto teria efetuado um disparo de arma de fogo contra Guilherme Alves da Silva. A vítima sofreu lesões graves, mas sobreviveu após ser socorrida por familiares e encaminhada para atendimento médico.

Um dos pontos mais discutidos do caso envolve o Registro de Atendimento Integrado (RAI) produzido pelo próprio Roberto na época. Esse documento deveria relatar os fatos de maneira objetiva, mas acabou se tornando peça central da controvérsia, já que investigadores identificaram divergências entre a versão inicial registrada no RAI, os depoimentos prestados posteriormente e as conclusões da perícia.

A defesa sustenta que Roberto teria agido em erro de percepção, acreditando estar diante de uma situação de risco. Ele afirmou que viu um homem se aproximando de forma suspeita, durante a noite, em frente à residência de seus sogros, e que disparou acreditando se tratar de uma ameaça iminente. O RAI, segundo essa versão, teria sido redigido com base na interpretação inicial do réu, antes que a dinâmica real dos fatos fosse totalmente compreendida.

O Ministério Público, por outro lado, defende que o disparo foi deliberado e sem justificativa. De acordo com a acusação, a vítima estava de costas, destravando o cadeado da residência, quando foi alvejada — ponto considerado fundamental para caracterizar a tentativa de homicídio qualificado.

Após a fase de instrução, que incluiu a oitiva de testemunhas e o interrogatório do réu, a juíza Nathália Bueno Arantes da Costa, da 4ª Vara Criminal de Anápolis, decidiu pela pronúncia de Roberto em 21 de outubro de 2024. Na decisão, a magistrada apontou a existência de indícios suficientes de autoria e materialidade, encaminhando o caso para julgamento pelo Tribunal do Júri.

Agora, caberá aos jurados analisar se houve ou não intenção de matar, além de avaliar as teses apresentadas pela defesa e pela acusação para definir o desfecho do processo.