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Justiça suspende ação do MP contra WePink após audiência de conciliação

Empresa de Virginia Fonseca é investigada por propaganda enganosa, atraso nas entregas e ocultação de reclamações nas redes sociais.


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 18/11/2025 - 08:05

Wepink

A Justiça de Goiás suspendeu, por 15 dias, a ação movida pelo Ministério Público contra a WePink, empresa da influenciadora Virginia Fonseca, após a realização de uma audiência de conciliação. O processo teve início após milhares de reclamações de consumidores relatando atrasos prolongados e falta de entrega de produtos adquiridos no site da marca.

A audiência ocorreu na tarde da última quarta-feira (13), durou cerca de 1h20 e reuniu o promotor responsável pelo caso e os sócios da empresa, Thiago Stabile e Chaopeng, acompanhados de seus advogados. Durante o encontro, foram discutidas cláusulas de um possível Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), e as partes solicitaram a suspensão temporária do processo para tentar uma composição definitiva.

Na decisão, a juíza Tatianne Marcella Mendes Rosa Borges Mustafa determinou o prazo de 15 dias para que a empresa e o Ministério Público avancem nas tratativas. Caso não haja manifestação dentro desse período, o MP será intimado a dar andamento ao processo. “Intimados em audiência. Dou por encerrada a audiência”, concluiu a magistrada.

Até o momento, a defesa da WePink não respondeu aos pedidos de esclarecimento sobre o possível acordo.

Procon e reclamações de consumidores

A empresa, que comercializa perfumes e cosméticos em todo o País, também foi autuada pelo Procon Goiás por descumprir prazos de entrega e falhas no atendimento ao consumidor. Entre 2024 e 2025, o órgão registrou cerca de 340 reclamações, incluindo casos de clientes que aguardam há meses por produtos não entregues. Uma consumidora relatou ter feito um pedido há sete meses e, mesmo após solicitar cancelamento e estorno, não recebeu retorno da empresa.

O Ministério Público destacou ainda que a WePink acumula números expressivos de reclamações no site Reclame Aqui, com 90 mil registros em 2024 e mais de 30 mil apenas em 2025, e apontou a empresa por violar oito artigos do Código de Defesa do Consumidor.

Outro ponto levantado pelo MP é que os próprios sócios da marca admitiram, em transmissão ao vivo, que venderam produtos sem possuir estoque suficiente, o que, segundo o órgão, caracteriza má-fé contratual e publicidade enganosa, já que a empresa continuou comercializando itens sem condições reais de cumprir o prazo informado de 14 dias úteis.

Determinações anteriores da Justiça

Em outubro, a Justiça havia imposto medidas obrigatórias, como implantação de atendimento humano, com resposta inicial a reclamações em até 24 horas, e a suspensão das lives de vendas, até que a empresa comprovasse a existência de estoque compatível com a demanda.

Com a suspensão temporária, o foco agora está nas negociações para um eventual acordo que possa reparar consumidores e garantir mudanças estruturais na operação da WePink. Caso não haja composição, o processo será retomado com análise das acusações formais apresentadas pelo Ministério Público.