Mobílias avaliadas em R$ 25 mil desapareceram do Museu de Anápolis após serem descartadas sem comunicação à comunidade artística. As 26 peças, semelhantes às utilizadas no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP), haviam sido doadas pela Fundação Bienal de São Paulo following a 34ª edição do evento. O mobiliário integrava a exposição paulista e foi cedido ao acervo museológico goiano.
O ex-coordenador Paulo Henrique Silva identificou o sumiço das peças em agosto e formalizou denúncia nas redes sociais. Segundo seu relato, a retirada ocorreu “de forma totalmente arbitrária”, sem consulta a artistas locais ou instituições representativas do setor das artes visuais. Inicialmente, o poder público negou ter recebido a mobília.
A confirmação da doação pela Fundação Bienal, através de contrato assinado em 2022, forçou a abertura de investigação oficial por parte da Prefeitura de Anápolis. Representantes culturais temem que o episódio indique um processo de sucateamento do Museu de Anápolis, com redução de atividades e enfraquecimento da economia criativa regional.
Especialistas em artes visuais classificaram o descarte como “apagamento e autossabotagem” do patrimônio cultural. O curador Marcio Harum ressaltou que a perda prejudica futuras captações de recursos, já que a mobília seguia padrões internacionais de museologia e representava um bem de alto valor técnico. A prefeitura nega desmonte cultural e afirma promover reestruturação completa em parceria com IBRAM, IPHAN e UFG.
Criado há mais de duas décadas, o Museu de Anápolis abriga obras de artistas consagrados como Siron Franco, Dalton Paula e Selma Parreira. O espaço havia consolidado nos últimos anos uma das principais coleções de arte contemporânea do Planalto Central, com movimentação anual de R$ 2 milhões em recursos através de editais de fomento à cultura. A administração municipal promete responsabilizar os envolvidos caso comprove falhas no descarte do patrimônio museológico.











