Sobrenome no casamento tem sido cada vez menos adotado pelas mulheres em Goiás, com apenas 27,77% das noivas optando por essa tradição em 2024. Este é o menor índice registrado desde a criação do Código Civil de 2003, quando 39,43% das mulheres incorporavam o sobrenome do marido. Os dados inéditos dos Cartórios de Registro Civil revelam uma mudança histórica nos costumes matrimoniais no estado.
A tendência predominante hoje é a manutenção dos nomes originais: 63,60% dos casais optam por não alterar nenhum sobrenome no casamento. Em 2003, essa escolha representava apenas 38,02% das uniões. Em números absolutos, 21.395 casais entre 33.646 matrimônios mantiveram seus sobrenomes em 2024, enquanto em 2003 eram 10.110 casos entre 26.623 casamentos.
Apenas 0,83% dos homens adotam o sobrenome no casamento da esposa, opção que praticamente não foi incorporada pela sociedade desde sua introdução legal. Já a alternativa de ambos os cônjuges incluírem sobrenomes cresceu discretamente, de 7,13% para 7,80% no mesmo período.
Devanir Garcia, presidente da Associação dos Registradores de Goiás (ARPEN/GO), atribui a transformação à maior independência feminina. “As mulheres conquistaram muito mais espaço e autonomia nos relacionamentos”, explica. A opção contrária – homens adotando sobrenome das mulheres – segue sendo rara, ocorrendo em apenas 0,83% dos casamentos em Goiás.
Os números absolutos revelam que, dos 33.646 casamentos em Goiás realizados em 2024, 21.395 casais mantiveram seus nomes originais. Apenas 283 celebrações registraram homens adotando sobrenome das esposas, enquanto 9.345 mulheres incluíram o sobrenome dos maridos. A tendência se mantém consistente com o cenário nacional, onde 371.206 mulheres adotaram sobrenome conjugal entre 936.555 casamentos.
A Lei Federal nº 14.382/22 facilitou recentemente as alterações de sobrenome, permitindo inclusões familiares a qualquer tempo mediante comprovação de vínculo. A mudança legal reflete a evolução social em torno dos casamentos em Goiás, onde a flexibilidade nas escolhas nominais acompanha a transformação dos papéis de gênero e da dinâmica familiar no estado.








