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Compras por impulso de roupas e calçados impulsionam inadimplência de consumidores, aponta pesquisa

Setor lidera índice de atrasos no pagamento em 2025 e revela uso recorrente do crédito mesmo com orçamento pressionado


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 19/01/2026 - 14:08

Inadimplência
(Foto: Reprodução)

O consumo por impulso de roupas e calçados tem pesado no bolso dos brasileiros e contribuído para o avanço da inadimplência no varejo. É o que mostra levantamento do Meu Crediário, sistema de gestão de crédito com dez anos de atuação, que aponta o setor como o líder em atrasos de pagamento no fechamento de 2025. Em dezembro, o índice de inadimplência em Roupas e Calçados atingiu 9,56%, o mais alto entre todos os segmentos analisados.

O dado evidencia um comportamento recorrente ao longo do ano: consumidores seguiram utilizando o crédito para compras não essenciais, mesmo em um cenário de juros elevados e renda limitada. Segundo o Meu Crediário, a inadimplência geral fechou dezembro em 8,58%, acima do registrado no mesmo período de 2024 (7,72%), embora abaixo de 2023. Ao longo de 2025, o índice oscilou quase três pontos percentuais, variando entre 6,74% em fevereiro e 9,7% em junho.

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De acordo com o CEO do Meu Crediário, Jeison Schneider, categorias ligadas a compras frequentes e emocionais tendem a concentrar mais atrasos. “O crédito voltou a crescer, mas sem reforço proporcional da renda. Isso faz com que decisões de consumo por impulso, especialmente no vestuário, acabem comprometendo o orçamento nos meses seguintes”, afirmou.

O levantamento mostra ainda que o endividamento é mais acentuado entre os jovens, grupo mais exposto ao parcelamento e com menor reserva financeira. Consumidores de 18 a 25 anos apresentaram inadimplência de 15,77%, enquanto a faixa de 26 a 35 anos registrou 11,88%. Os índices diminuem progressivamente a partir dos 36 anos. Também há diferença por gênero: homens encerraram dezembro com inadimplência de 10,43%, contra 8,01% entre as mulheres.

Dados da Confederação Nacional do Comércio (CNC) reforçam o cenário. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) aponta que 78,9% das famílias brasileiras estavam endividadas em dezembro, o maior patamar da série histórica para o mês. Embora o pagamento do 13º salário tenha trazido alívio temporário, a CNC alerta para o risco do crédito fácil, especialmente via cartão, se transformar em uma bola de neve de dívidas ao longo de 2026.