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Pesquisa da UEG revela bactérias resistentes em escovas de dentes e desenvolve soluções com plantas do Cerrado

Projeto une nanotecnologia verde, microbiologia e conceito de Saúde Única para enfrentar a resistência bacteriana e reduzir impactos ambientais na saúde e na agricultura


Por Carlos Nathan em 20/01/2026 - 14:19

ueg pesquisa bactérias resistentes
(Foto: Divulgação)

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Estadual de Goiás (UEG) chama atenção para um risco presente no cotidiano de milhões de pessoas: a presença de bactérias multirresistentes em escovas de dentes de uso diário. A constatação, feita por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Ciências Aplicadas a Produtos para a Saúde (PPG Caps), identificou microrganismos como a Staphylococcus aureus, conhecida por sua alta resistência a antibióticos, acendendo um alerta sobre ameaças invisíveis à saúde humana.

A partir desse achado, a UEG deu início a um projeto interdisciplinar que integra nanotecnologia, biodiversidade do Cerrado, microbiologia e o conceito de Saúde Única, que considera a interdependência entre a saúde humana, animal e ambiental. A proposta atua em duas frentes principais: o desenvolvimento de alternativas aos antibióticos convencionais e a criação de soluções sustentáveis para a agricultura, com menor impacto ambiental.

Na área da nanotecnologia, a pesquisa é coordenada pela professora doutora Luciana Rebelo Guilherme, especialista em Química e Nanotecnologia. O grupo trabalha na produção de nanopartículas de prata, reconhecidas pelo forte efeito antimicrobiano, utilizando a chamada síntese verde — um método que substitui reagentes químicos tóxicos por substâncias naturais.

Esses insumos vêm do próprio Cerrado. A professora doutora Giuliana Muniz Villa Verde estuda extratos de plantas nativas, como a Arnica do Cerrado, além de produtos apícolas, como a própolis de abelhas sem ferrão, que atuam como reagentes naturais na formação das nanopartículas. Além de mais seguro, o processo contribui para a conservação ambiental. “Ao potencializar o efeito com pequenas quantidades de extrato, podemos aliviar a pressão extrativista sobre espécies ameaçadas”, destaca Luciana.

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A pesquisa conta ainda com a atuação da professora doutora Valdirene Neves Monteiro, que investiga o uso de fungos do gênero Trichoderma na produção de metabólitos naturais capazes de auxiliar na formação das nanopartículas. Já os testes contra bactérias multirresistentes são conduzidos pelo professor doutor Plínio Lázaro Faleiro Naves, da área de Microbiologia Clínica.

No campo da agricultura sustentável, sob coordenação da professora doutora Alliny das Graças Amaral, o projeto identifica bactérias nativas do Cerrado capazes de fixar nitrogênio no solo. Esses microrganismos são incorporados a bioinsumos produzidos a partir de resíduos da agroindústria, reduzindo o uso de fertilizantes químicos e protegendo o solo, a água e as abelhas nativas.

Além da pesquisa científica, os especialistas alertam para a prevenção. A recomendação é trocar a escova de dentes a cada três meses, manter acompanhamento odontológico regular e higienizar as escovas com antissépticos. “A placa bacteriana é um biofilme que pode causar problemas graves se entrar na corrente sanguínea”, explica Luciana.

A pesquisa da UEG demonstra como um objeto simples do dia a dia pode se tornar ponto de partida para soluções inovadoras, aliando saúde pública, sustentabilidade e preservação do Cerrado.