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Parceria entre Universidades coloca Anápolis com tecnologia inédita no combate à dengue; entenda

Cidade é a primeira do Brasil a receber testes de campo de um larvicida sustentável à base de curcumina, capaz de eliminar o Aedes aegypti antes da fase adulta


Por Carlos Nathan em 22/01/2026 - 12:35

Parceria entre Universidades coloca Anápolis com tecnologia inédita no combate à dengue; entenda
(Foto: Reprodução)

Anápolis se tornou, nesta quarta-feira (21), o centro de uma das mais promissoras pesquisas brasileiras no enfrentamento à dengue e a outras arboviroses. A Universidade Evangélica de Goiás (UniEVANGÉLICA) recebeu uma equipe da Universidade de São Paulo (USP – São Carlos) para o lançamento oficial e o treinamento de uma tecnologia inovadora voltada ao combate do mosquito Aedes aegypti. O evento, realizado no miniauditório do Edifício Daisy Fanstone, marcou o início da fase 3 da pesquisa — etapa em que os testes deixam o laboratório e passam a ser aplicados em condições reais.

Anápolis é a primeira cidade do país a receber os estudos de campo da tecnologia, considerada estratégica para a saúde pública. A escolha do município se baseia em dados epidemiológicos da Secretaria Municipal de Saúde, que apontam bairros como o Jardim Esperança e a Vila Jaiara entre os mais afetados pela dengue. Já nesta quinta-feira (22), a aplicação prática do larvicida teve início em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) da região.

A pesquisa é resultado de uma cooperação científica entre a UniEVANGÉLICA, a USP e instituições parceiras do Brasil e dos Estados Unidos. Na universidade goiana, o projeto é coordenado pelo professor Lucas Danilo Dias, do curso de Farmácia e do Centro de Excelência de Pesquisa e Inovação Tecnológica em Saúde (CEPInova). A formulação desenvolvida utiliza curcumina — substância extraída do açafrão-da-terra — microencapsulada por meio da técnica de spray-drying, associada a D-manitol e amido.

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O diferencial da tecnologia está em seu mecanismo de ação fotodinâmico. Ao ser aplicada nos criadouros, a cápsula atrai a larva do mosquito, que ingere o composto. A exposição à luz ativa a molécula no interior do organismo da larva, provocando um processo de oxidação que leva à sua eliminação. Estudos indicam que a solução é até 57 vezes mais eficiente que a curcumina livre, com efeito residual de até 27 dias e impacto ambiental significativamente menor que inseticidas químicos tradicionais.

Autoridades municipais, estaduais e representantes da área da saúde participaram do lançamento. Para o pró-reitor de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão da UniEVANGÉLICA, Sandro Dutra e Silva, o projeto consolida o papel social da universidade. “É um avanço acadêmico com impacto direto na vida da população, ao transformar ciência em solução prática”, destacou. Já o prefeito Márcio Corrêa ressaltou a importância da prevenção diante de um cenário preocupante de arboviroses.

A pesquisa conta com financiamento da FAPEG e da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás, além do apoio da Prefeitura de Anápolis e de instituições como a Associação Educativa Evangélica (AEE). A expectativa é que, após aprovação dos órgãos regulatórios, o produto possa ser produzido em larga escala, tornando-se uma ferramenta acessível e eficaz no combate à dengue em Anápolis, Goiás e em todo o país.