A rede social X enfrenta uma crise jurídica e de imagem após se tornar o principal polo de distribuição de deepfakes pornográficos. Investigações apontam o Grok, chatbot de inteligência artificial da própria empresa, como o motor dessa produção em massa. Dados revelam que o sistema do Grok gera deepfakes pornográficos a uma taxa alarmante de cerca de 6.700 imagens sexualizadas por hora, superando sites especializados. Na prática, a plataforma integra toda a cadeia: o usuário solicita, a IA cria e o X distribui.
Ao contrário de concorrentes que impõem bloqueios rígidos, o X promove o Grok como uma IA com menos restrições. Especialistas alertam que essa “liberdade” técnica facilita ataques em larga escala, usando fotos públicas de mulheres e menores como matéria-prima para nudes falsos. Diante disso, autoridades brasileiras emitiram uma recomendação urgente para a plataforma suspender contas de usuários abusivos e criar mecanismos de controle.
Em nota técnica conjunta, a ANPD, o MPF e a Senacon estabeleceram um prazo de 30 dias para que o X implemente sistemas capazes de identificar e remover esse conteúdo ilegal. As instituições exigem, imediatamente, a suspensão das contas envolvidas e a criação de um canal de denúncia ágil e transparente para as vítimas. Testes realizados pelos próprios órgãos comprovaram a facilidade de usar o Grok gera deepfakes pornográficos a partir de comandos simples.
As autoridades ressaltam que a responsabilidade é direta da plataforma, que deixa de ser mera intermediária para ter um papel ativo na produção. O documento cita entendimento do STF que impõe maior dever de cuidado às empresas digitais para evitar crimes graves e proteger direitos fundamentais.
Caso não cumpra as recomendações, o X está sujeito a multas severas e restrições de operação no Brasil. O objetivo das medidas é a proteção efetiva dos cidadãos, focando especialmente na defesa de mulheres, crianças e adolescentes contra esta violação automatizada de privacidade e dignidade.








