Skip to content

Primeira cirurgia com polilaminina é realizada em Goiás

Paciente com lesão na medula recebeu substância experimental em janeiro no Crer; procedimento pioneiro no estado não faz parte de estudo clínico


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 24/02/2026 - 17:29

Foto: Divulgação
Primeira cirurgia com polilaminina em Goiás é realizada no Crer, em Goiânia. Foto: Divulgação

Goiás registrou a primeira cirurgia com polilaminina, substância experimental que pode auxiliar na regeneração de lesões na medula espinhal. O procedimento foi realizado em janeiro no Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), em Goiânia, em um paciente com lesão medular aguda. A intervenção, pioneira no estado, foi autorizada para uso compassivo em pessoa com doença grave e não integra o estudo clínico coordenado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A polilaminina é uma substância natural encontrada no corpo humano, extraída da placenta. A inovação da pesquisa da UFRJ consistiu em transformá-la em um polímero em formato de pequenos canos, capazes de criar uma ponte para o crescimento dos axônios – os “fios” que conectam o cérebro às extremidades do corpo. O diretor do Crer, Alan Anderson Fernandes Oliveira, explicou que a substância preenche o espaço vazio deixado pelo trauma e permite a reconexão neural.

O paciente, um homem entre 40 e 50 anos, teve a identidade preservada por segredo de Justiça. A cirurgia transcorreu sem intercorrências e ele segue em acompanhamento no Crer, com suporte de equipe multidisciplinar e da família. O médico ressaltou que os resultados variam conforme o caso e que o sucesso do tratamento depende também da reabilitação pós-operatória, já que o cérebro precisa “aprender” o novo caminho dos estímulos.

Essa primeira cirurgia com polilaminina em Goiás representa um marco na esperança de pacientes com lesões medulares. Embora a substância ainda esteja em fase de pesquisa, o caso abre perspectivas para novos tratamentos. O governo estadual forneceu apoio logístico ao processo, e o Crer monitora tanto os desfechos clínicos quanto a qualidade de vida do paciente, que apresenta evolução positiva até o momento.