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Perda da saúde auditiva atinge 10 milhões de brasileiros; especialistas alertam para prevenção

No Dia Mundial da Audição, OMS projeta 2,5 bilhões de pessoas com problemas até 2050


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 02/03/2026 - 14:30

Foto: Reprodução

O Dia Mundial da Audição , comemorando nesta terça-feira, 03, reforça a importância de cuidar da saúde auditiva e estar atento aos sinais de perda auditiva. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)  indicam que cerca de 10 milhões de pessoas no país convivem com algum grau de perda auditiva, sendo que 2,7 milhões têm surdez profunda. Especialistas do Centro Estadual de Reabilitação e Readaptação Dr. Henrique Santillo (Crer), em Goiânia, reforçam a importância da prevenção e do diagnóstico precoce para evitar impactos na comunicação, aprendizado e qualidade de vida.

Referência em saúde auditiva no estado, o Crer oferece atendimento multiprofissional que inclui avaliação diagnóstica, adaptação de aparelhos auditivos, cirurgias de implante coclear e reabilitação pós-operatória. A unidade acompanha cerca de 1.000 pacientes na linha de cuidado da clínica auditiva. “A audição é fundamental para o desenvolvimento da comunicação, da aprendizagem e das relações sociais”, afirma Jaqueline Borges, supervisora de Reabilitação Auditiva do Crer. “Quando a perda não é identificada precocemente, os impactos podem ser significativos, principalmente na infância e na terceira idade.”

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, até 2050, 2,5 bilhões de pessoas terão algum grau de perda auditiva no mundo. Destas, pelo menos 700 milhões precisarão de reabilitação. A otorrinolaringologista Juliana Caixeta alerta que a perda auditiva não tratada compromete a capacidade de comunicação, o desempenho profissional e a interação social. “Nossa capacidade de ouvir é preciosa. Por isso, a prevenção e o diagnóstico precoce são tão importantes”, destaca.

Os especialistas orientam atenção aos sinais de alerta. Em crianças, ausência de reação a sons intensos e atraso na fala merecem investigação. Em adultos e idosos, dificuldade para compreender conversas, necessidade de aumentar o volume da TV, zumbido e isolamento social são indícios de que a saúde auditiva precisa ser avaliada. A prevenção inclui evitar exposição a ruídos intensos, usar protetores auriculares e manter volume moderado em fones de ouvido.

“Existe uma relação entre perda auditiva e demência, e investir na reabilitação pode reduzir o impacto na cognição”, alerta Juliana Caixeta. Ela lembra que pessoas com deficiência auditiva têm direitos garantidos por lei, mas enfrentam desafios por ser uma deficiência invisível. O Brasil possui legislação avançada que garante acesso gratuito a aparelhos auditivos e cirurgias pelo SUS. “Todo brasileiro tem direito ao tratamento auditivo”, reforça a médica. A saúde auditiva é um direito que precisa ser valorizado e cuidado em todas as fases da vida.