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Curta goiano “A Curva do Rio” estreia em festival internacional em Madagascar

Produção de Kassio Pires, realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo, integra mostra dedicada a obras autorais sobre identidade e território


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 03/03/2026 - 16:20

Foto: Divulgação

O curta-metragem goiano “A Curva do Rio” teve sua estreia internacional no 20º Madagascourt Film Festival, em Madagascar. A produção do diretor Kassio Pires, realizada com recursos da Lei Paulo Gustavo por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult Goiás), integrou a mostra “À Chacun Son Cinéma”, dedicada a obras autorais que exploram identidades, territórios e linguagens singulares no cinema contemporâneo.

O filme acompanha dois personagens centrais: Anair, avó do diretor, e o Rio Paranaíba. A narrativa investiga por que Anair, uma mulher de 60 anos que vive às margens do rio, tem tanto medo de suas profundezas. O curta goiano A Curva do Rio utiliza o rio como metáfora para o pertencimento e aborda o desterro de jovens que saem do interior e, ao retornar, reencontram raízes modificadas. “A gente nunca deixa de ser caipira”, reflete Kassio.

A produção explora o conceito de neocaipirismo, propondo um olhar nativo sobre a identidade do Brasil Central, oposto aos estereótipos. “O audiovisual brasileiro tem olhado para Goiás, mas é um olhar estrangeiro. O movimento do neocaipirismo busca nossa linguagem, explorando o cotidiano para mostrar que a identidade goiana é muito mais complexa”, explica o diretor.

A seleção para o festival surpreendeu Kassio, que não imaginava que um filme tão regional pudesse alcançar Madagascar. No entanto, semelhanças geográficas e culturais, como a terra vermelha, os planaltos e a miscigenação, criaram identificações universais. O curta goiano A Curva do Rio ainda não tem data de estreia no Brasil, mas a expectativa é que ocorra ainda no primeiro semestre, preferencialmente em Goiás.