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Semente de moringa pode remover microplásticos da água com eficiência, aponta estudo da Unesp

Pesquisa publicada na ACS Omega mostra que extrato salino da planta tem desempenho comparável ao sulfato de alumínio, coagulante tradicional


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 04/03/2026 - 13:20

Estudo da Unesp mostra que semente de moringa pode remover microplásticos da água com eficiência similar ao alumínio, oferecendo alternativa sustentável para tratamento. Foto: Gabrielle Batista

A semente de moringa (Moringa oleifera) pode ser uma alternativa sustentável para a remoção de microplásticos da água, aponta estudo desenvolvido no Instituto de Ciência e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista (ICT-Unesp), em São José dos Campos. A pesquisa, publicada na revista ACS Omega, da Sociedade Americana de Química, demonstrou que o extrato salino das sementes tem eficiência de coagulação similar à do sulfato de alumínio, produto químico amplamente utilizado em estações de tratamento.

O estudo aponta que a remoção de microplásticos da água por meio da moringa ocorre através do processo de coagulação, que neutraliza a carga elétrica negativa das partículas, permitindo que elas se aglomerem e sejam retidas em filtros de areia. De acordo com Gabrielle Batista, primeira autora da pesquisa, o extrato da semente apresentou desempenho superior ao coagulante químico tradicional em águas mais alcalinas. A única desvantagem observada até o momento foi o aumento da matéria orgânica dissolvida, cuja remoção poderia elevar os custos do processo em larga escala.

Segundo Gabrielle Batista, primeira autora da pesquisa, o extrato da semente de moringa chegou a apresentar um desempenho até superior ao do coagulante químico tradicional, especialmente quando aplicado em águas mais alcalinas. O único ponto de atenção, destacado pelos pesquisadores, foi o aumento da matéria orgânica dissolvida, um fator que, em sistemas de grande escala, poderia elevar os custos do tratamento. Ainda assim, para pequenas comunidades ou propriedades rurais, a moringa se mostra como uma alternativa simples, eficiente e de baixo custo.

Atualmente, o grupo testa o extrato da planta em amostras de água coletadas diretamente do rio Paraíba do Sul, e os resultados preliminares seguem promissores. À medida que cresce a busca por coagulantes biodegradáveis e livres de toxicidade residual, o uso da moringa na remoção de microplásticos da água desponta como uma solução ecológica frente aos compostos tradicionais à base de alumínio e ferro, alinhando-se assim às crescentes preocupações ambientais e de saúde pública.

O artigo completo sobre o estudo, intitulado “Removal of microplastics from drinking water by Moringa oleifera seed”, pode ser acessado na revista ACS Omega, da Sociedade Americana de Química.