Skip to content

Academia de Anápolis é condenada após episódio de homofobia contra cliente

Justiça determina pagamento de R$ 20 mil por danos morais após caso ocorrido há oito meses envolvendo questionamento sobre vestimenta de aluno


Por Carlos Nathan em 05/03/2026 - 15:06

Entenda a polêmica envolvendo academia em Anápolis após cliente ser repreendido por bermuda curta
(Foto: Reprodução/Instagram)

Uma academia de Anápolis foi condenada pela Justiça a pagar R$ 20 mil por danos morais a um cliente após um episódio considerado discriminatório ocorrido durante um treino no local. A decisão foi proferida pelo 3º Juizado Especial Cível e envolve um caso registrado no início de julho de 2025, cerca de oito meses atrás.

O empresário Marcus Vinicius Cardoso de Andrade relatou ter passado por uma situação constrangedora enquanto treinava na academia Hope Select, localizada no bairro Jardim Europa. Segundo ele, após finalizar o treino, foi chamado por funcionários do estabelecimento para falar sobre a roupa que usava — um short considerado “curto demais” para os padrões do local.

De acordo com o relato do empresário, a abordagem ocorreu após reclamação de outro frequentador, que teria classificado a vestimenta como “indecente” e “provocativa”. Marcus afirmou que a conversa aconteceu diante de outras pessoas, o que teria aumentado o constrangimento. Na ocasião, a academia também teria solicitado que ele não voltasse ao local utilizando a mesma peça de roupa.

O caso ganhou repercussão nas redes sociais e chegou a veículos de imprensa de alcance nacional, gerando debates sobre regras de vestimenta, moralidade e discriminação em ambientes de academia. Após o episódio, o empresário decidiu cancelar a matrícula, que custava cerca de R$ 1.500 por mês.

Durante a análise do processo, a Justiça entendeu que a existência de regras internas ou orientações sobre vestimenta não configura, por si só, discriminação. Estabelecimentos privados podem estabelecer normas de convivência ou códigos de vestuário para frequentadores.

Entretanto, o entendimento mudou após a academia divulgar uma nota pública sobre o caso. No comunicado, o estabelecimento afirmou que sua postura buscava “agradar e honrar a Deus”. Para a juíza Luciana de Araújo Camapum Ribeiro, ao utilizar um argumento religioso em uma situação envolvendo um cliente homossexual, a academia acabou reforçando publicamente uma reprovação moral associada à orientação sexual do empresário.

Na avaliação da magistrada, a forma como o estabelecimento conduziu a resposta pública ampliou a exposição e o constrangimento do cliente. Por esse motivo, foi reconhecido o dever de indenização por danos morais.