O AVC no Brasil assumiu a liderança como principal causa de morte cardiovascular, superando o infarto. Dados de 2024 revelam que 85.427 brasileiros morreram vítimas de Acidente Vascular Cerebral, o equivalente a seis mortes por hora. Este número ultrapassa as 77.886 mortes por infarto no mesmo período, alertando para uma urgente crise de saúde pública.
Globalmente, o cenário também é preocupante. Um estudo global mostra que os casos de AVC no Brasil e no mundo aumentaram 70% desde 1990. Atualmente, a doença é a segunda principal causa de morte no planeta, responsável por 11% de todos os óbitos, conforme alerta da Sociedade Brasileira de AVC às vésperas do Dia Mundial de Prevenção, em 29 de outubro.
O tempo é um fator decisivo para salvar vidas. Neurocirurgiões explicam que a janela para tratamento eficaz é curta: até 4,5 horas para trombólise e até 24 horas para trombectomia. Reconhecer os sinais do AVC, conhecidos como FAST (Rosto, Braços, Fala), e acionar imediatamente o SAMU 192 pode significar a diferença entre a recuperação completa e sequelas permanentes.
Aparelho criado por médico de Goiânia
Nesse contexto, o neurocirurgião funcional Rômulo Marques, do Hospital Unique, enfatiza que o tempo é o maior aliado do tratamento. “A janela terapêutica é curta. A trombólise deve ser feita em até 4,5 horas”, explica. Ele ainda ressalta que o aumento dos casos está diretamente ligado ao controle inadequado da pressão arterial e a hábitos de vida prejudiciais. Para agilizar o diagnóstico, a população deve ficar atenta ao método “FAST”: Rosto (assimetria facial), Braços (fraqueza muscular), Fala (arrastada) e Tempo (ligar imediatamente para o 192).
Um dado especialmente preocupante é o crescimento do AVC no Brasil entre o público jovem. O neurocirurgião alerta que a principal causa nessa faixa etária é a dissecção arterial, uma ruptura que pode ocorrer após traumas leves ou exercícios intensos. “Temos visto um aumento de AVCs em jovens ligados a hipertensão, obesidade e estresse crônico. Os hábitos de vida estão piores”, observa Marques. Paralelamente, os infartos também se tornam mais frequentes em pessoas abaixo dos 40 anos, com um aumento de 184% nas internações desde 2000.
Diante disso, a prevenção se consolida como o caminho mais eficaz. O especialista orienta reduzir o consumo de sal, manter uma alimentação balanceada e praticar atividades físicas. Para os sobreviventes, a reabilitação precoce, iniciada nas primeiras 48 horas, é fundamental e agora conta com técnicas inovadoras de neuroestimulação guiadas por inteligência artificial, embora o acesso no SUS ainda seja um desafio a ser superado.








