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Apesar do que mostra o prefeito nas redes sociais, Saúde ainda pede socorro

Moradores relatam longas esperas, descaso e falta de empatia em unidades de saúde de Anápolis, apesar do discurso otimista da gestão municipal


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 25/10/2025 - 06:59

Apesar do que mostra o prefeito nas redes sociais, Saúde ainda pede socorro
Prefeito passeia pela UPA fora do horário de pico e mostra funcionamento “adequado”. (Imagem: Reprodução/Instagram)

Enquanto o prefeito Márcio Corrêa (PL) divulga nas redes sociais vídeos mostrando a rede de saúde “funcionando bem e sem filas”, o cenário encontrado por pacientes na UPA Pediátrica Dr. Lineu Gonzaga Jaime, em Anápolis, tem sido bem diferente. Em menos de dez dias, dois episódios distintos chamaram atenção e colocaram a unidade no centro de críticas por suposto descaso e má conduta de servidores.

O primeiro caso ocorreu no dia 12 de outubro. Um pai levou o filho de 2 anos, com fortes dores abdominais, e aguardou por cerca de quatro horas a realização de um exame de raio-X. Desconfiado da demora, ele decidiu verificar o setor e afirmou ter flagrado dois servidores jogando videogame dentro da sala do exame. “Um estava com o controle na mão, brincando com o colega sobre o placar. Fiquei sem acreditar”, contou. O homem gravou discretamente um vídeo, no qual é possível ver o monitor exibindo um jogo de futebol e um controle sobre a mesa. Segundo ele, o atendimento só ocorreu após o flagrante.

Poucos dias depois, no domingo (19), a Polícia Militar foi chamada à mesma UPA após outro pai se exaltar diante da demora no atendimento do filho, que apresentava febre alta. O homem, segundo servidores, teria desacatado funcionários após aguardar 20 minutos e ser informado de que a média de espera era de 50 minutos. Ele foi retirado por uma equipe da Força Tática Municipal. O caso foi presenciado por outros pais e gerou forte repercussão.

Na Câmara Municipal, o vereador Domingos Paula (PDT) afirmou ter conversado com o homem contido e confirmou que ele admitiu a exaltação, mas negou agressões. “Todo pai se desespera quando vê o filho passando mal. A espera gera revolta, mas é reflexo do desespero”, disse o parlamentar.

Em resposta à repercussão, o prefeito publicou, na noite de 21 de outubro, um vídeo mostrando em seu perfil no Instagram a UPA pediátrica “sem pacientes aguardando” e “nove médicos de plantão”. “Isso mostra que é possível superar desafios”, declarou. Mas nos comentários, a população contestou. “Queria ver se fosse sem aviso. A realidade é outra”, escreveu uma moradora. Outros relataram esperas de até seis horas, atrasos de médicos e mau atendimento.

Já na tarde desta quarta-feira (22), o prefeito voltou às redes sociais para reforçar sua visão otimista sobre o sistema municipal de saúde. “Além da UPA Pediátrica, ontem à noite também visitei o Alfredo Abrahão. Muita gente fazendo cirurgia, pouco tempo depois de entrar pra regulação. No décimo mês da nossa gestão, já ficou no passado aquela imagem da unidade que tinha portas fechadas e da cidade com filas de pacientes aguardando por uma cirurgia que nunca acontecia. A novidade do Hospital Alfredo Abrahão é que agora ele também é referência pra cirurgia ortopédica de crianças. Antes, os pais tinham que ir para outras cidades. Com paciência e trabalho, a saúde de Anápolis está virando exemplo”, escreveu.

A secretária Jennifer Santos, de 27 anos, porém, resume o sentimento de muitos anapolinos: “A gente marca consulta, chega cedo, o médico atrasa e o atendimento demora muito. É um descaso total”. Enquanto a gestão celebra nas redes, quem depende do sistema público ainda enfrenta longas filas, falta de empatia e uma sensação constante de abandono. Mesmo assim, tanto a Fundação Universitária Evangélica (Funev), responsável pela gestão da unidade pediátrica, quanto a Prefeitura de Anápolis, foram procuradas, mas não responderam à Tribuna de Anápolis até o fechamento desta edição.

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