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Barraquinhas de igrejas viram patrimônio cultural de Anápolis

Lei transforma quermesses católicas em bem cultural imaterial; prefeitura terá que preservar tradições e poderá destinar recursos para estruturar festas


Dhayane Marques Por Dhayane Marques em 03/12/2025 - 19:20

Foto: Pascom Paróquia São Francisco de Assis

As tradicionais barraquinhas de igreja, com seus jogos de argola, pescaria e comes e bebes típicos, acabam de ganhar status de patrimônio cultural em Anápolis. Uma lei municipal aprovada nesta semana reconhece as quermesses e festas católicas como bens culturais imateriais da cidade, garantindo proteção legal e abrindo a possibilidade de repasse de verba pública para suas realizações.

A Lei Ordinária nº 4.499/2025, de autoria do vereador Policial Federal Suender (PL), coloca sob a guarda do poder municipal celebrações religiosas que há décadas marcam o calendário de bairros e paróquias. Com a nova regra, a prefeitura fica obrigada a criar mecanismos para registrar, preservar e incentivar a continuidade dessas tradições populares.

Do reconhecimento ao caixa
Além do valor simbólico, a medida tem consequências práticas. O texto legal permite que as festividades sejam incluídas em editais de cultura e recebam apoio financeiro direto da administração municipal. Os recursos poderão ser usados para custear estrutura, segurança, infraestrutura e outros gastos necessários para a realização dos eventos.

A justificativa da lei aponta o duplo impacto das celebrações: fortalecem os laços comunitários e têm potencial turístico, atraindo visitantes interessados na cultura local e nas manifestações de fé. As festas costumam mobilizar centenas de voluntários e gerar receita para obras sociais mantidas pelas paróquias.

Regulamentação pendente
Apesar de já em vigor, a lei ainda depende de regulamentação. Caberá à prefeitura definir os critérios para que entidades religiosas solicitem o registro como patrimônio imaterial e como poderão acessar eventual apoio financeiro. A norma reforça que o reconhecimento visa preservar valores como diversidade e identidade cultural.

A promulgação foi realizada pela presidente da Câmara, vereadora Andreia Rezende (Avante), após aprovação do plenário. Agora, as barraquinhas que por gerações fizeram parte do imaginário afetivo dos anapolinos não são apenas eventos religiosos – são, oficialmente, parte da história cultural da cidade.

Dhayane Marques

Dhayane Marques é jornalista formada pela PUC-GO. Atualmente é Diretora de Programas da TV Pai Eterno e colaboradora no jornal Tribuna do Planalto, nas editorias de cidades, educação, economia e diversão e arte.