A Base Aérea de Anápolis (BAAN) voltou ao centro das atenções após reportagem especial da Folha de S.Paulo revelar, pela primeira vez, detalhes da rotina de preparação e operação dos caças F-39 Gripen, considerados atualmente os aviões de combate mais tecnológicos da Força Aérea Brasileira (FAB). O jornal acompanhou em 13 de novembro todo o processo que antecede um voo de treinamento, desde a checagem do piloto até a decolagem, algo inédito desde a chegada das aeronaves ao Brasil, em 2022.
Por volta das 13h45, o major-aviador Vitor Luís Martins Faria iniciou os procedimentos finais em uma área de acesso altamente restrito. Quarenta minutos depois, decolou com a aeronave FAB 4108, realizando rasantes e arremetidas que ecoaram sobre o cerrado antes de seguir para uma missão de uma hora. O caça é uma das 11 unidades já entregues ao país, todas operadas pelo 1º Grupo de Defesa Aérea (GDA) — Jaguar, sediado na BAAN.
A reportagem destacou que a base passou por profundas reformulações para atender às exigências do programa Gripen. Da estrutura original da década de 1970, restaram apenas paredes externas. O local abriga hoje áreas como a “Black Box”, núcleo controlado onde são planejados exercícios táticos e realizadas análises sigilosas de missões. Ali também estão simuladores avançados operados em parceria com técnicos suecos da Saab.
Com 13 pilotos atualmente habilitados — número que aumentará com a chegada de quatro novos integrantes em janeiro — o GDA opera com rígidos protocolos de segurança e treinamento. Os militares precisam suportar forças gravitacionais de até 9G, exigindo preparo físico especializado em academia própria do esquadrão.
A visita ocorreu na véspera do deslocamento de quatro caças para exercícios em Natal, onde fariam, pela primeira vez, disparos de mísseis de longo alcance. O programa brasileiro prevê 36 Gripen, incluindo oito modelos bipostos. Ainda este ano deve ficar pronto o primeiro exemplar montado na fábrica da Embraer em Gavião Peixoto, mas sua entrega oficial está prevista para 2026.
A reportagem reforça que, mais de 50 anos após sua inauguração, a Base Aérea de Anápolis segue exercendo função estratégica na defesa do país — agora equipada com o que há de mais avançado na aviação militar brasileira.











