Durante uma vigília católica realizada no evento Desperta Brasil, em Brasília, bispo da Diocese de Formosa, no Entorno do Distrito Federal, Dom Adair José Guimarães, fez uma oração pedindo a intercessão de Nossa Senhora Aparecida para “livrar o Brasil da guerra, da fome e do comunismo”. A declaração, feita no sábado (30 de agosto), ganhou repercussão e intensificou discussões sobre a atuação da Igreja Católica em um cenário político marcado pela divisão.
O evento reuniu milhares de fiéis em atividades de oração e reflexão sobre valores ligados à família, à pátria e à fé cristã. Dom Adair conduziu o momento ao lado do frei Gilson, pregador conhecido entre católicos e evangélicos conservadores. A menção ao “comunismo” foi interpretada por analistas como um recado indireto ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), frequentemente acusado por setores da direita de adotar políticas consideradas de viés esquerdista.
O bispo inimigo do comunismo, nomeado em 2021 pelo papa Francisco, é identificado com a ala tradicional da Igreja no Brasil. Sua fala reacende a discussão sobre a neutralidade religiosa em momentos de tensão política, especialmente às vésperas do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou nota neutra, reafirmando apenas o compromisso da Igreja com a paz social. Internamente, entretanto, cresce o debate sobre os limites entre discurso espiritual e posicionamentos que podem ser interpretados como políticos.








