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Compras por impulso e desemprego: saiba quais são os gatilhos que levam os goianos ao endividamento

Instabilidades econômicas, aumento do custo de vida e falta de margem financeira para lidar com emergências são justificativas para endivamento no Brasil


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 07/11/2025 - 08:35

Dívidas
O levantamento, que ouviu 887 consumidores entre 9 e 24 de setembro de 2025.

Uma nova pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box revela um panorama preocupante — e ao mesmo tempo esclarecedor — sobre o endividamento na região Centro-Oeste. O levantamento, que ouviu 887 consumidores entre 9 e 24 de setembro de 2025, buscou entender os gatilhos que levam moradores da região à inadimplência e como esses consumidores lidam com as próprias dívidas.

Um dos dados mais sensíveis mostra que 52% dos inadimplentes já estiveram endividados em outro momento, indicando um alto índice de reincidência. Esse comportamento reforça que, para grande parte da população, entrar no vermelho não é algo pontual, mas parte de um ciclo difícil de romper. O estudo também encontrou outro alerta importante: 6% dos moradores endividados não conseguiram pagar contas básicas, como luz, água e gás — serviços essenciais cuja interrupção impacta diretamente a qualidade de vida das famílias.

Outro ponto que chama atenção é o tempo de atraso das dívidas. Na região, 45% dos consumidores possuem débitos acumulados há mais de um ano, demonstrando que a recuperação financeira é lenta e, muitas vezes, insuficiente para regularizar o orçamento. Esse dado aparece alinhado ao comportamento nacional, mas reforça a necessidade de políticas de educação financeira e renegociação mais acessíveis.

A pesquisa ainda detalha os principais gatilhos que levam ao endividamento. Entre os motivos mais citados estão desemprego, gastos inesperados, redução de renda, desorganização financeira e compras por impulso. Muitos consumidores também relatam dificuldade em controlar parcelamentos, o que amplia a bola de neve das dívidas. Além disso, 44% dos moradores no Centro-Oeste já tiveram água, luz ou gás cortados alguma vez por atraso no pagamento.

Apesar das dificuldades, o estudo revela comportamentos positivos: 76% acreditam que vão conseguir pagar suas dívidas, e 3 em cada 4 consumidores acompanham de perto os valores das contas básicas para evitar novos atrasos. Além disso, 61% conversam com familiares para reduzir o consumo de água, luz e gás, demonstrando maior consciência financeira no dia a dia.

No Centro-Oeste, as dívidas mais comuns estão ligadas a bancos e cartões de crédito (51%), seguidas por financeiras e varejo. Já o uso do cartão de crédito é dominado por despesas básicas, como compras de supermercado e medicamentos, reforçando que boa parte das famílias recorre ao crédito para manter necessidades essenciais.

O levantamento mostra, em síntese, que o endividamento na região não é apenas resultado de má administração, mas consequência direta de instabilidades econômicas, aumento do custo de vida e falta de margem financeira para lidar com emergências. A cada novo dado, fica claro que as famílias do Centro-Oeste convivem com desafios que vão além do planejamento: envolvem sobrevivência, adaptações constantes e a difícil tarefa de manter as contas em dia.