As sessões legislativas de novembro de 2025 na Câmara Municipal de Anápolis terminaram com um dado curioso: das 21 propostas de matérias aprovadas pelos vereadores, 9 tratam da criação de datas comemorativas ou semanas temáticas, ou seja, quase metade. Embora não sejam irrelevantes, essas iniciativas acendem um debate sobre a real necessidade de ampliar, ano após ano, o calendário oficial do município, consumindo tempo legislativo – e consequentemente dinheiro público – em pautas consideradas de baixo impacto social.
Entre os projetos aprovados estão o Dia do Odontólogo, proposto por Seliane da SOS (MDB), e o Dia Municipal do Advogado, inserido no calendário pela vereadora Andreia Rezende (Avante). O mesmo mês trouxe ainda a criação do Dia da Amizade Anápolis/Japão, apresentado por Professor Marcos Carvalho (PT), e do Dia do Síndico, de autoria de Jakson Charles. Além disso, o vereador Rimet Jules (PT) instituiu o Dia Municipal dos Direitos Humanos, enquanto o Policial Federal Suender criou o Dia Municipal do Agronegócio.
Outro exemplo é o projeto de Reamilton do Autismo (Podemos), que oficializa o Dia Municipal de Conscientização e Incentivo ao Diagnóstico Precoce do Retinoblastoma. Embora tenha temática de saúde pública, segue o mesmo modelo de datas celebrativas. Até mesmo o Executivo municipal entrou na lista, com a proposição da Semana Municipal da Constituição Cidadã, sugerida pelo Professor Marcos Carvalho, e com a atualização do Dia Municipal do Bombeiro Militar, defendida por Seliane da SOS.
Na contramão das datas simbólicas, projetos com impacto concreto também foram votados, embora em menor número. Entre eles, a proposta de João da Luz que cria o Selo Escola Amiga da Proteção da Criança e do Adolescente, além da política de desenvolvimento das Feiras de Produtos Orgânicos, apresentada duas vezes pelo parlamentar. Já Cleide Hilário (Republicanos) conseguiu aprovar medidas como a garantia de acessibilidade comunicativa para mulheres com deficiência vítimas de violência doméstica e a Campanha Coração de Mulher, voltada à saúde feminina.
Outro a aprovação foi a do reconhecimento da Banda de Percussão Dr. Genserico Gonzaga Jaime como Patrimônio Cultural Imaterial, proposta de Andreia Rezende, reforçando a preservação da memória e das manifestações locais. O Executivo também obteve aval para o Programa Mais Justiça, voltado ao reforço de ações institucionais.
Apesar disso, o volume de datas comemorativas aprovadas, ao lado de honrarias, como já publicado pelo Tribuna da Câmara de Anápolis, continua a crescer e chamar atenção. Isso porque a prática reforça um uso excessivo do Legislativo para iniciativas simbólicas, que pouco alteram a realidade da população, enquanto demandas estruturais — como mobilidade, saúde e geração de emprego — exigem atenção constante continuam carente.











