As denúncias de trabalho escravo atingiram um patamar recorde no Brasil em 2025. O Disque Direitos Humanos (Disque 100) registrou 4.516 denúncias de condições análogas à escravidão, o maior número desde a criação do canal específico em 2011 e um aumento de 14% em relação a 2024. Segundo a coordenadora-geral do serviço, Franciely Loyze, a elevação reflete uma população “mais consciente e menos receosa de denunciar”, impulsionada pela confiança em um canal sigiloso e eficaz.
Essas denúncias resultaram em ações concretas de resgate. Dados do Ministério do Trabalho mostram que 2.772 trabalhadores foram libertados em 1.594 operações fiscais ao longo do ano, com o pagamento de mais de R$ 9 milhões em verbas rescisórias. O maior caso ocorreu em Mato Grosso, onde 586 pessoas foram resgatadas de uma usina de etanol após viverem em alojamentos superlotados e cumprirem jornadas exaustivas de até 16 horas diárias.
O perfil das denúncias de trabalho escravo abrange desde trabalho infantil até adultos submetidos a servidão por dívida, condições degradantes e restrição de liberdade. Geograficamente, São Paulo liderou o número de registros (1.129), seguido por Minas Gerais (679) e Rio de Janeiro (364), evidenciando a abrangência nacional do problema. A data de 28 de janeiro, Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, reforça a luta contínua pela erradicação dessa violação, marcada pela memória dos auditores fiscais assassinados na Chacina de Unaí em 2004.
Para denunciar, a população pode acionar o Disque 100 a qualquer hora, por telefone, WhatsApp (61) 99611-0100, Telegram ou site do Ministério dos Direitos Humanos. Cada registro representa uma chance real de interromper ciclos de exploração, punir responsáveis e garantir direitos fundamentais a milhares de trabalhadores em situação de vulnerabilidade extrema.
Com informações da Agência Gov.








