Skip to content

“Educação é para todos”, afirma secretária de Anápolis ao falar sobre déficit de vagas e uso de livros do MEC

Rede municipal investe em salas modulares, formação de professores e programas de alfabetização para ampliar o acesso e melhorar os índices de aprendizagem


Dhayane Marques Por Dhayane Marques em 08/09/2025 - 09:58

A secretária municipal de Educação de Anápolis, Adriana Vilela Arantes
Em 2024, 73,22% das crianças da rede municipal de Anápolis estavam alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental. (Foto: Paulo de Tarso/ Prefeitura de Anápolis)

A secretária municipal de Educação de Anápolis, Adriana Vilela Arantes, é professora de carreira desde 1988, com experiência na rede estadual, na Universidade Estadual de Goiás e em instituições particulares. Doutora em Educação e especialista em administração e supervisão escolar, Adriana afirma que sua trajetória é marcada pela formação de professores e pelo compromisso com políticas públicas. “Iniciei minha vida aos 18 anos como professora e estou até hoje trabalhando na educação”, disse.

Um dos principais desafios enfrentados pela gestão é o déficit de vagas na educação infantil. Segundo a secretária, quando assumiu o cargo, em janeiro, a lista de espera passava de seis mil crianças. A prioridade inicial foi atender o Infantil 4 e 5, faixa etária considerada essencial para a transição ao Ensino Fundamental. “Sabemos a importância da pré-escola para a formação da criança. Por isso, ampliamos turmas em CMEIs de maior demanda e conseguimos atender mais de 500 crianças com novas salas de aula”, explica.

Apesar do esforço, o déficit ainda persiste. A prefeitura tem utilizado soluções como as salas modulares para acelerar a criação de novas vagas. “As salas podem ser transferidas conforme a necessidade. Hoje a demanda é maior em um bairro, amanhã pode ser em outro. Isso nos dá flexibilidade”, afirma Adriana. Segundo ela, além das salas já em funcionamento, há previsão de construção de novos CMEIs com recursos do governo federal.

Outro ponto levantado é o uso do material didático do Ministério da Educação (MEC). A secretária confirmou que a rede municipal adota os livros, mas ressaltou que há acompanhamento pedagógico. “Nós usamos o material do MEC, mas fazemos uma leitura pedagógica antes. Analisamos como os temas serão abordados, respeitando a realidade das nossas crianças e famílias. Os assuntos existem e precisam ser tratados”, diz.

Sobre alfabetização, Adriana reconhece que o município não alcançou a meta em 2024, mas destaca medidas em andamento. “Estamos trabalhando com formações periódicas de professores do 1º ao 3º ano, simulados a cada 15 dias e programas de leitura. Também criamos o Prepara Anápolis, com aulões e atividades complementares em português e matemática. Já estamos observando avanços”, adianta.

As metas para os próximos anos incluem ampliar vagas em creches e pré-escolas, melhorar índices de alfabetização e reforçar a infraestrutura escolar. “Queremos reduzir ao máximo a lista de espera, valorizar nossos professores e garantir acesso a recursos tecnológicos. Educação é para todos e esse é o norte da nossa gestão”, conclui a secretária.

Sem previsão de concurso para 2025

Atualmente, Anápolis conta com mais de 470 cuidadores contratados. Segundo a secretária, a última seleção de professores foi realizada em 2019 e ainda está em vigor. “Não há previsão de concurso para este ano. A ideia é analisar a demanda e, a partir daí, verificar a necessidade de novo edital em 2025”, explica Adriana. A Secretaria pretende chamar os últimos aprovados no cadastro reserva antes de definir novos processos.

A medida reforça a dependência de contratações temporárias para atender a rede municipal. Com a expansão das vagas em CMEIs e a abertura de novas salas, a expectativa é que a demanda por professores e cuidadores aumente nos próximos semestres.

Salas modulares ampliam vagas em CMEIs

Em abril, a Prefeitura anunciou que pretende criar cerca de 500 vagas em Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) por meio de salas modulares. A primeira unidade inaugurada foi no CMEI Maria Zenita, no Bairro de Lourdes. A estrutura pré-moldada conta com climatização, mobiliário e espaço adaptado para crianças da pré-escola.

A secretária Adriana afirma que o modelo deve se expandir para outras regiões. “As salas modulares representam uma resposta rápida à fila de espera. São flexíveis e podem ser transferidas de acordo com a demanda. Já temos outras unidades em preparação”, diz. A iniciativa busca atender principalmente crianças do Infantil 4 e 5, consideradas prioridade para o processo de alfabetização.

Assistência a crianças em situação de violência

A Secretaria Municipal de Educação também atua na proteção de crianças em situação de vulnerabilidade. Por meio da rede de proteção, gestores, coordenadores e professores são capacitados para identificar casos de violência física, sexual ou bullying e realizar os encaminhamentos necessários ao Conselho Tutelar e ao Juizado da Infância e Juventude. “A escola é o espaço onde muitas vezes essas situações são percebidas primeiro, e trabalhamos em parceria com saúde e assistência social para garantir acolhimento e suporte às famílias”, explica a secretária Adriana Vilela Arantes.

Merenda escolar
O novo modelo de merenda escolar busca garantir alimentação completa e balanceada a todos os estudantes da rede municipal. O cardápio inclui café da manhã e almoço com frutas, verduras, legumes, feijão e proteínas variadas, servido em pratos que tornam a refeição mais atrativa. “A criança bem alimentada aprende melhor. Recebemos feedbacks positivos de alunos, professores e gestores, e o acompanhamento é feito diariamente para garantir qualidade e aceitação dos alimentos”, garante Adriana.

Alfabetização em Anápolis não atinge meta estabelecida em 2024 

A rede municipal de Anápolis registrou 73,22% de crianças alfabetizadas ao final do 2º ano do ensino fundamental em 2024, ficando apenas 0,21 ponto percentual abaixo da meta estipulada para o ano, de 73,43%, pelo Ministério da Educação (MEC). Os dados são do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), por meio do Indicador Criança Alfabetizada, que avalia a capacidade de leitura e escrita dos alunos na idade adequada.

Para a secretária municipal de Educação, Adriana Vilela Arantes, os números mostram avanços, mas reforçam a necessidade de continuidade nas ações pedagógicas. “Continuaremos a trabalhar de forma intensa para garantir que todas as crianças tenham pleno domínio da leitura e da escrita. Não existe cidadania plena sem alfabetização”, afirma. Ela destaca ainda que o resultado reflete o empenho da rede, com programas de apoio à aprendizagem e formação continuada de professores. “Recebemos estes índices com alegria, mas sabemos que o trabalho precisa seguir. Estamos ajustando nossas estratégias, acompanhando cada unidade e cada criança para reduzir ao máximo as lacunas de aprendizagem”, acrescenta.

O desempenho de Anápolis fica acima da média nacional, mas abaixo do registrado em Goiás, que superou a meta estadual de 68,9%, atingindo 72,74% de alunos alfabetizados. Segundo Adriana, a comparação com outras redes reforça a necessidade de planejamento contínuo: “Precisamos aprender com experiências bem-sucedidas e adaptar as estratégias à nossa realidade, sempre garantindo que o professor tenha suporte e os alunos recebam o acompanhamento necessário”.

No Brasil, o índice médio de alfabetização em 2024 ficou em 59,2%, ligeiramente abaixo da meta nacional de 60%. O Inep utiliza avaliações que incluem leitura de palavras, frases e pequenos textos, interpretação e produção textual, permitindo medir se o aluno alcançou os padrões de alfabetização esperados para a idade. “A alfabetização é a base de toda a educação. Cada ponto conquistado é fruto do trabalho de professores, gestores e famílias, e é isso que buscamos fortalecer todos os dias”, conclui a secretária.

Leia também: Câmara de Anápolis aprova doação de terrenos para habitação popular e aporte ao transporte coletivo

Dhayane Marques

Dhayane Marques é jornalista formada pela PUC-GO. Atualmente é Diretora de Programas da TV Pai Eterno e colaboradora no jornal Tribuna do Planalto, nas editorias de cidades, educação, economia e diversão e arte.