O governo dos Estados Unidos anunciou a abertura de uma investigação formal sobre práticas comerciais brasileiras, como o uso do Pix, que, segundo Washington, podem ser injustas ou discriminatórias para empresas norte-americanas. A decisão foi confirmada por Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA, que afirmou ter iniciado o procedimento na última terça-feira (15), em resposta a orientações do presidente Donald Trump.
O foco da investigação inclui o tratamento dado pelo Brasil ao comércio digital e aos serviços de pagamento eletrônico, com atenção especial ao sistema Pix, amplamente adotado no país. As autoridades norte-americanas alegam que regras e tarifas brasileiras podem criar barreiras que dificultam a entrada de empresas de tecnologia dos EUA no mercado local. Além disso, o governo dos EUA questiona tarifas supostamente mais baixas concedidas a outros parceiros comerciais e acusa o Brasil de não combater de forma efetiva a corrupção nem o desmatamento ilegal, fatores que, segundo eles, afetariam a competitividade de setores como o madeireiro e o agrícola dos EUA.
A investigação foi anunciada poucos dias depois de o presidente Trump ameaçar impor uma tarifa de 50% sobre as importações brasileiras, bem acima da alíquota inicial de 10%. Trump vinculou diretamente essa retaliação a decisões judiciais brasileiras envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e empresas de tecnologia dos EUA, gerando críticas de especialistas em comércio que consideraram a medida inesperada, sobretudo porque o Brasil costuma importar mais dos EUA do que exporta para lá.
Em nota oficial, o governo brasileiro repudiou o que chamou de “intromissão indevida” dos EUA em assuntos internos, criticando duramente comentários do Departamento de Estado norte-americano que acusaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Supremo Tribunal Federal de atacar a liberdade de expressão. O vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), prometeu trabalhar para reverter a nova tarifa “o mais rápido possível”, admitindo que o Brasil poderá pedir mais prazo para negociações se necessário.
A base legal para a investigação é a chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, dispositivo que Trump já usou para impor tarifas à China e para investigar outros países por impostos sobre serviços digitais. Em comunicado, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA afirmou que essa ferramenta será empregada para examinar detalhadamente as barreiras tarifárias e regulatórias brasileiras, deixando aberta a possibilidade de adoção de medidas retaliatórias ao final do processo.











