O combate ao alcoolismo ganha destaque nesta quarta-feira, dia 18 de fevereiro, data instituída para conscientizar sobre os riscos do consumo excessivo de álcool. A psiquiatra Lisa Pena alerta que a ciência atual é clara: não existe dose segura para o consumo de álcool. “A dependência não se define apenas pela quantidade ingerida, mas pela função que a bebida exerce na vida da pessoa. Quando o álcool vira um regulador emocional, já há um problema instalado”, explica.
A relação entre álcool e saúde mental é uma via perigosa de mão dupla. Enquanto ansiedade e depressão podem levar ao uso como “anestesia”, a substância desregula neurotransmissores como serotonina e dopamina, agravando os sintomas. O combate ao alcoolismo passa por reconhecer que os danos são silenciosos e cumulativos: mesmo o consumo moderado afeta memória, cognição e performance profissional, além dos riscos físicos como cirrose e doenças cardiovasculares.
Para ajudar na autoavaliação, a especialista destaca o questionário CAGE, ferramenta internacional que ajuda a identificar sinais de dependência. Responder “sim” a duas ou mais perguntas, como sentir necessidade de diminuir a bebida, ser criticado por pessoas próximas, sentir culpa ou beber pela manhã para aliviar sintomas, indica a necessidade de buscar ajuda profissional no combate ao alcoolismo.
O tratamento moderno vai além da abstinência, envolvendo equipe multiprofissional para tratar o que o álcool tentava “regular”. Psicoterapia, suporte nutricional e acompanhamento psiquiátrico com medicações para reduzir a fissura são abordagens com evidência científica. O combate ao alcoolismo começa com o diagnóstico precoce e a quebra do silêncio sobre o consumo doméstico e social, recuperando a qualidade de vida por meio de mudanças no estilo de vida, sono e atividade física.








