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Ex-pastor é condenado a 95 anos por abusar de fiéis em Anápolis

Líder religioso usava suposta incorporação de "anjos" para abusar de pelo menos 15 mulheres; esposa também foi condenada por conivência com os crimes


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 26/11/2025 - 17:19

Líder religioso alegava incorporar "anjos" para cometer crimes sexuais. Foto: PCGO

A Justiça de Anápolis condenou o ex-pastor Wanderlei Antonio de Oliveira a 95 anos de reclusão em regime fechado por crimes sexuais contra fiéis. A decisão da 5ª Vara Criminal, anunciada na terça-feira (26), põe fim a um caso que tramitava há mais de dois anos e envolve pelo menos 15 vítimas que foram abusadas durante cultos e atendimentos espirituais.

ex-pastor utilizava sua posição de liderança religiosa para cometer os crimes, alegando estar “tomado por anjos” e exigindo relações sexuais das fiéis. Segundo as investigações, as vítimas eram coagidas com ameaças caso não aceitassem as exigências do pastor. Os abusos ocorriam tanto na igreja quanto nas residências das mulheres, configurando violação sexual mediante fraude, estupro de vulnerável e divulgação de material íntimo.

A esposa do líder religioso , Maria Lourdes dos Santos Oliveira, também foi condenada por participar ativamente do esquema criminoso. As provas demonstraram que ela auxiliava o marido a encobrir os abusos e silenciava as vítimas, contribuindo para a perpetuação dos crimes. O caso foi investigado pela 1ª Delegacia de Polícia de Anápolis, que reuniu depoimentos detalhados e evidências documentais robustas.

Manipulação da fé como instrumento de crime
O Ministério Público de Goiás comprovou que o ex-pastor se apresentava como “pai espiritual” e simulava incorporações de anjos durante os atendimentos. Essa estratégia de manipulação religiosa era utilizada para explorar pessoas em situação de vulnerabilidade emocional, transformando rituais supostamente sagrados em oportunidades para abusos sexuais. O caso expõe como a confiança depositada em líderes religiosos pode ser distorcida para fins criminosos.

 Precedente no combate a abusos em instituições religiosas
A sentença ainda cabe recurso, mas a decisão já representa uma vitória significativa para as vítimas que aguardavam por justiça há mais de dois anos. O caso reforça a importância da atuação integrada entre Polícia Civil, Ministério Público e Poder Judiciário no combate a crimes sexuais, especialmente quando cometidos por figuras de autoridade que abusam da confiança de suas comunidades. O caso deve incentivar outras vítimas a buscarem proteção legal.