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Entenda polêmica envolvendo Hytalo Santos, “adultização” e exploração de menores denunciada por Felca

Vídeo já ultrapassou 26 milhões de visualizações e provocou investigações do Ministério Público


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 11/08/2025 - 11:04

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Felca. (Imagem: Reprodução/Youtube)

Um escândalo que começou nas redes sociais está ganhando proporções jurídicas e pode mudar para sempre o cenário do entretenimento digital brasileiro. O youtuber Felca, conhecido e seguido por mais de 4 milhões de pessoas, detonou uma bomba ao denunciar publicamente a “adultização” e exploração de menores de idade na internet, tendo como alvo principal o influenciador Hytalo Santos, que possui mais de 20 milhões de seguidores em todas as suas redes sociais.

O vídeo de Felca, publicado na última quarta-feira (6), já ultrapassou a marca de 26 milhões de visualizações, transformando-se em um dos conteúdos mais assistidos da plataforma nos últimos dias. O que começou como uma denúncia isolada rapidamente se tornou um movimento que divide opiniões e levanta questões fundamentais sobre os limites éticos na produção de conteúdo digital envolvendo menores.

No centro da polêmica está Hytalo José Santos Silva, natural da Paraíba, que construiu seu império digital reunindo pessoas – especialmente crianças e adolescentes que ele chama de “crias”, “filhas” e até “genros” – dentro de uma mansão, compartilhando suas rotinas com milhões de espectadores. Somente no YouTube, ele conta com mais de 7 milhões de inscritos, e seu último vídeo, publicado há quatro dias, mostra uma encenação de pedido de namoro entre jovens menores de idade.

O caso que mais chamou atenção nas denúncias de Felca envolve Kamylinha (também conhecida como Kamylla Santos), que teria entrado no “círculo de Hytalo” aos 12 anos e permanecido até os 17, desenvolvendo-se nesse ambiente. Segundo as acusações, Hytalo criou um formato de “reality show de férias com ex” com um “clima adulto”, incluindo conversas sobre relacionamentos entre menores e cenas que expunham adolescentes com poucas vestes em atitudes sugestivas.

As denúncias se aprofundam ao revelar que a jovem participava de shows para adultos que incluíam “danças sensuais” em ambientes onde o público consumia drogas e álcool. Aos 17 anos, ela teve um procedimento de implante de silicone nos seios exposto em vídeo de pós-operatório, o que intensificou as acusações de transformar menores em “produtos para um público adulto”.

A repercussão foi imediata e devastadora. Na sexta-feira (8), dois dias após as denúncias de Felca, a conta do Instagram de Hytalo Santos foi desativada, embora ainda não se saiba oficialmente a motivação. Os comentários em seus vídeos no YouTube já refletem a polêmica, com usuários escrevendo frases como “finalmente um youtuber grande o suficiente comentou sobre esse canal, não vejo a hora dele cair, vai ser um favor à sociedade”.

A situação ganhou contornos oficiais quando as autoridades tomaram conhecimento do caso. O Ministério Público da Paraíba (MPPB) instaurou duas frentes de investigação em 2024 contra Hytalo Santos, após denúncias recebidas via “Disque 100”. Os procedimentos, que tramitam nas Promotorias de João Pessoa e Bayeux, apuram possível exploração de menores e avaliam se o conteúdo veiculado nas redes possui teor sexual, ferindo assim o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Além disso, foi instaurado um inquérito policial e uma investigação pelo Ministério Público do Trabalho da 13ª região. Em uma medida drástica, o Ministério Público removeu as redes sociais de Kamylinha por decisão judicial, demonstrando a seriedade com que o caso está sendo tratado pelas autoridades.

Hytalo Santos tem se defendido veementemente das acusações, negando qualquer irregularidade e afirmando que sempre colabora com o Ministério Público. Em sua defesa, ele alega que “as mães sempre acompanharam tudo” e que “tudo tem o consentimento das mães e, inclusive, das meninas emancipadas”. O influenciador destaca que as principais adolescentes mencionadas nas denúncias já são emancipadas e que mantém bom relacionamento com as mães das menores.

Embora o termo “adultização” não seja um crime específico na legislação brasileira, a prática é combatida pelo ECA, que garante a proteção integral da criança e do adolescente. A lei reconhece a “condição peculiar de pessoa em desenvolvimento” dos menores e proíbe qualquer forma de negligência, exploração, violência ou submissão a constrangimento.

O vídeo de Felca se destacou não apenas pelo conteúdo explosivo, mas também pela ausência de anúncios, o que foi amplamente elogiado pelos usuários como uma demonstração de que a denúncia foi feita por convicção e não por interesse financeiro. Com mais de 100 mil comentários, o vídeo se tornou um marco nas discussões sobre ética no entretenimento digital brasileiro.

O caso continua em investigação, com os procedimentos mantidos sob sigilo devido ao envolvimento de menores. As autoridades seguem apurando os fatos, enquanto a sociedade digital brasileira aguarda os desdobramentos de um escândalo que pode redefinir os limites do que é aceitável no mundo dos influenciadores digitais.

A Tribuna de Anápolis tentou contato com os advogados dos influenciadores mencionados, mas até o fechamento desta reportagem não obteve resposta. O espaço permanece aberto para manifestações.

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