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Após reuniões de emergência da ONU sobre custos da COP30, evento se mostra cada vez mais problemático; entenda

Reclamações sobre preços abusivos de hospedagem em Belém ameaçam participação de países em desenvolvimento e colocam sede da conferência em xeque


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 01/08/2025 - 11:13

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O Brasil, por sua vez, garantiu que apresentará um relatório com medidas concretas até o dia 11 de agosto. (Foto: Reprodução)

Faltando poucos meses para a realização da COP30, marcada para novembro de 2025 em Belém (PA), a conferência climática da ONU enfrenta uma crise logística que ameaça diretamente sua legitimidade e representatividade. O motivo? Preços exorbitantes de hospedagem que podem inviabilizar a participação de países em desenvolvimento, justamente os mais vulneráveis às mudanças climáticas.

Na última terça-feira (29), a secretaria do clima da ONU convocou uma reunião de emergência para discutir o tema. O encontro foi motivado por denúncias de que os custos com acomodações estariam excluindo nações mais pobres das negociações. Richard Muyungi, presidente do Grupo Africano de Negociadores, afirmou que muitos países não conseguem arcar com os valores e exigiu soluções do governo brasileiro.

O Brasil, por sua vez, garantiu que apresentará um relatório com medidas concretas até o dia 11 de agosto. Segundo o governo federal, está em andamento um plano para ampliar a capacidade hoteleira da cidade, incluindo a contratação de navios de cruzeiro, que oferecerão 6 mil leitos extras, e a criação de pacotes com diárias entre US$ 100 e US$ 220 para países mais pobres.

Entretanto, esses valores ainda estão acima da ajuda de custo diária oferecida pela ONU, que é de US$ 149 para Belém. A disparada dos preços, em alguns casos chegando a US$ 700 por noite, levou inclusive países ricos, como Holanda e Polônia, a considerarem cortar drasticamente suas delegações.

O presidente da COP30, o diplomata André Corrêa do Lago, confirmou que há pressões internacionais para transferir o evento para outra cidade. Ele destacou que, enquanto outras edições da conferência viram aumentos de até três vezes nos preços das diárias, em Belém os valores chegaram a ser dez vezes maiores. “Há uma sensação de revolta, sobretudo entre os países mais pobres”, disse.

Além dos desafios logísticos, a situação coloca em xeque o comprometimento do Brasil com a inclusão e a justiça climática, pilares fundamentais das negociações internacionais. A Secretaria Extraordinária da COP30, ligada à Casa Civil, afirma que segue em diálogo com a ONU e o setor hoteleiro, tentando equilibrar a demanda com a infraestrutura limitada da capital paraense.

Com cerca de 45 mil pessoas esperadas, a cidade de Belém, que normalmente dispõe de 18 mil leitos, tem enfrentado uma corrida por hospedagens. Casos de hotéis simples cobrando R$ 25 mil pelo período de 11 dias — mais caro que estabelecimentos de luxo em Nova York ou Paris — revelam a dimensão do problema. Com o prazo apertado e a insatisfação crescendo, a próxima reunião da ONU, marcada para 11 de agosto, será crucial para definir o futuro da COP30 — e se o Brasil conseguirá manter a conferência em solo amazônico.

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