Em resposta ao impacto das novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos (EUA) sobre produtos brasileiros, o Governo de Goiás anunciou nesta terça-feira (22/7) uma série de medidas emergenciais para apoiar empresas goianas atingidas pelas restrições. O pacote foi apresentado pelo governador Ronaldo Caiado durante uma reunião com empresários no Palácio das Esmeraldas, e contou com a presença de representantes de diversos setores estratégicos da economia estadual, além do secretário da Economia, Francisco Sérvulo Freire Nogueira.
Goiás foi o primeiro estado brasileiro a reagir oficialmente à crise comercial deflagrada após o anúncio de sobretaxas de até 50% por parte do governo norte-americano. As medidas goianas têm como objetivo principal proteger a produção local, preservar empregos e manter a competitividade dos setores mais afetados, como o agronegócio, a indústria de alimentos, mineração e saúde.
Dentre as ações anunciadas, três fundos financeiros foram colocados à disposição das empresas: o Fundo Creditório, o Fundo de Equalização para o Empreendedor (Fundeq) e o Fundo de Estabilização Econômica. O Fundo Creditório, que entra em operação já em agosto, permitirá o uso de R$ 628 milhões em créditos de ICMS, divididos entre recursos do próprio governo e de investidores privados. A proposta será oficialmente apresentada em leilão na Bolsa de Valores (B3) no dia 5 de agosto. A taxa de juros da linha será de 10% ao ano — inferior às praticadas em programas federais.
O Fundeq, criado durante a pandemia, será reativado para subsidiar encargos financeiros em operações de crédito voltadas a micro, pequenas e médias empresas. Já o Fundo de Estabilização Econômica funcionará como reserva estratégica para momentos de maior crise, permitindo que o estado assegure serviços essenciais e suporte financeiro direto às empresas.
Além do pacote financeiro, Caiado instituiu um comitê especial de acompanhamento, com reuniões periódicas junto a seis setores econômicos estratégicos: fármacos e saúde; proteína animal e pescados; mineração; setor sucroenergético; soja e cítricos; e curtumes. A proposta é garantir diálogo constante entre o governo e o empresariado, de modo a adaptar rapidamente as ações às necessidades específicas de cada segmento.
Como contrapartida, empresas interessadas em acessar os fundos deverão manter os níveis de emprego durante o período de vigência do crédito, fortalecendo o compromisso do governo com a preservação de postos de trabalho.
A Secretaria da Economia ficará responsável pela liberação e validação dos créditos de ICMS, bem como pela transferência de valores entre contribuintes. O Instituto Mauro Borges (IMB) estima que os recursos liberados possam ser usados tanto para expansão da produção quanto para capital de giro, contribuindo para que empresas mantenham suas operações durante a retração do comércio internacional.
Hoje, os Estados Unidos representam o segundo maior destino das exportações goianas, com destaque para carne, soja, ferro e aço. De janeiro a junho de 2025, Goiás exportou mais de US$ 337 milhões ao mercado norte-americano, o que torna urgente a adoção de medidas para mitigar os efeitos da nova barreira comercial.











