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JBS deixa de pagar R$ 8,5 bilhões em tributos federais enquanto lucra R$ 12,5 bilhões em pouco mais de um ano

Levantamento do Instituto Conhecimento Liberta (ICL) mostra que a maior produtora de proteína animal do mundo está entre as empresas que mais se beneficiam de isenções fiscais no Brasil


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 26/07/2025 - 06:38

JBS
A JBS, empresa que deu origem ao conglomerado da família, teve início em Anápolis. (Foto: Reprodução)

Enquanto o governo federal busca alternativas para aumentar a arrecadação e evitar cortes orçamentários, grandes grupos empresariais seguem acumulando benefícios fiscais bilionários. É o caso da JBS, multinacional brasileira do setor de carnes, originada em Anápolis, que deixou de pagar ao menos R$ 8,5 bilhões em tributos federais entre janeiro de 2024 e maio de 2025. Os dados foram obtidos e analisados pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL), com base em informações públicas da Receita Federal.

O valor corresponde à soma dos incentivos tributários concedidos a quatro CNPJs ligados ao grupo: JBS S/A, Seara Alimentos Ltda, Seara Comércio de Alimentos Ltda e JBS Aves Ltda. No mesmo período, a empresa declarou lucros líquidos de R$ 9,6 bilhões em 2024 e R$ 2,9 bilhões no primeiro semestre de 2025 — totalizando R$ 12,5 bilhões. Ou seja, a empresa deixou de pagar em tributos o equivalente a cerca de 68% de seu lucro.

A maior parte das isenções da JBS está relacionada à contribuição para o Cofins (76,3%), seguida pelo PIS/Pasep (16,5%) e pela contribuição previdenciária (5,8%). Outros tributos, como IRPJ e CSLL, também aparecem em menor escala.

Segundo o ICL, a JBS é um exemplo dos privilégios fiscais direcionados ao setor agroindustrial. O economista Róber Iturriet Avila, da UFRGS, afirma que há uma contradição entre o discurso de independência do agronegócio e sua dependência de incentivos públicos. “É um setor que diz não depender do Estado, mas é um dos mais beneficiados. Outros setores com maior impacto social poderiam receber esse apoio”, disse.

Para o pesquisador Adalberto Floriano Greco Martins, também ouvido pelo ICL, a situação é desproporcional: “Uma única empresa ganhou mais de R$ 5 bilhões em isenção. Isso é mais do que o orçamento de ministérios inteiros. É uma aberração.”

O levantamento aponta ainda que o setor de carnes foi o segundo mais beneficiado em isenções tributárias desde 2024, com R$ 36,5 bilhões em renúncias, atrás apenas do setor de fertilizantes.

Além dos incentivos fiscais, a JBS é alvo de denúncias ambientais e sociais. Entre elas, estão investigações sobre compra de gado de áreas desmatadas ilegalmente, autuações por condições análogas à escravidão em fornecedores e protestos de organizações como Greenpeace e Global Witness, que questionam a tentativa da empresa de ingressar na Bolsa de Valores de Nova York.

Apesar das controvérsias, a JBS afirma que adota políticas de sustentabilidade e metas ambientais, incluindo o compromisso de eliminar o desmatamento de sua cadeia até 2025 — embora, segundo nota oficial, esse objetivo seja uma “aspiração” e não uma promessa formal.