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LER/DORT custou R$ 1 bilhão ao INSS em um ano; veja como se proteger

Especialista orienta sobre documentação, emissão de CAT e diferença entre auxílio-doença acidentário e previdenciário


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 25/02/2026 - 16:00

Foto: Internet

A sigla LER/DORT é utilizada para designar um conjunto de doenças que afetam músculos, tendões e nervos, causadas principalmente por movimentos repetitivos, esforço excessivo ou más condições ergonômicas no ambiente de trabalho. As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) atingem com mais frequência punhos, braços, ombros e coluna, e podem se manifestar por meio de dores persistentes, inflamações e limitações de movimento. O que muitos trabalhadores não sabem é que, além do sofrimento físico, essas doenças envolvem uma complexa dimensão jurídica.

No Brasil, essas lesões se tornou a segunda maior causa de afastamento do trabalho. Dados do INSS revelam que apenas em 2023 foram concedidos mais de 100 mil auxílios-doença em decorrência dessas lesões, com um custo superior a R$ 1 bilhão para os cofres públicos. O cenário se agravou com o aumento do trabalho remoto e o uso intensivo de smartphones como ferramenta profissional, que expõem os trabalhadores a jornadas mais longas e condições ergonômicas inadequadas dentro de casa.

O reconhecimento da LER/DORT como doença ocupacional é o ponto central para garantir direitos ampliados. O advogado previdenciarista Jefferson Maleski explica que a diferença entre uma doença comum e uma ocupacional está na origem do problema. “Se a lesão surge por movimentos repetitivos na empresa, pressão por metas excessivas ou mobiliário sem ergonomia, ela se transforma em uma doença ocupacional”, afirma. Essa distinção muda a natureza do benefício concedido pelo INSS e abre novas possibilidades de reparação contra o empregador.

Quando a LER/DORT é classificada como ocupacional, o trabalhador passa a ter direito à estabilidade no emprego por 12 meses após o retorno ao trabalho. Além disso, pode ingressar com ações judiciais pleiteando indenizações por danos morais e materiais contra a empresa. Em casos mais graves, nos quais as sequelas reduzem permanentemente a capacidade de trabalho, é possível obter até mesmo uma pensão vitalícia. Para isso, é fundamental reunir provas como laudos médicos detalhados, emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) e documentação que evidencie as condições inadequadas da rotina laboral.