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Na COP30, JBS exibe agenda “verde” enquanto enfrenta críticas por emissões e influência na mídia

Empresa que nasceu em Anápolis é premiada por projeto ambiental, mas patrocínio à cobertura da conferência acende alerta sobre greenwashing e poder corporativo


Por Carlos Nathan em 26/11/2025 - 15:42

JBS na Cop30
Programa Escritórios Verdes, criado pela JBS em 2021, foi um dos vencedores, entre mais de 670 propostas. (Foto: Reprodução)

A JBS, gigante global da indústria da carne fundada em Anápolis em 1953 como um pequeno açougue de José Batista Sobrinho, esteve noss holofotes durante a COP30, em Belém. Apesar disso, enquanto celebrou reconhecimento internacional pelo programa Escritórios Verdes, a empresa também enfrenta questionamentos sobre sua real contribuição para a agenda climática e sobre sua influência no debate público por meio do patrocínio a veículos de imprensa que cobrem a conferência.

Durante o evento, a JBS foi destaque no painel “Diálogos por uma economia de baixo carbono – SBCOP Awards”, onde o projeto foi escolhido entre 48 cases globais avaliados por critérios de impacto e escalabilidade. Criado em 2021, o programa oferece assistência gratuita a produtores rurais em eixos como regularização ambiental e gestão. Em Goiás, onde a empresa mantém forte presença — incluindo unidades em Anápolis, Goiânia, Itumbiara, Mozarlândia, Porangatu, São Luís de Montes Belos e Senador Canedo — cerca de mil propriedades foram regularizadas por meio da iniciativa.

Acontece que, para além do reconhecimento, a participação da JBS na COP30 não passou incólume. Um levantamento do Intercept Brasil apontou a empresa como a segunda corporação que mais patrocinou a cobertura jornalística da conferência, financiando sete veículos — entre eles Folha de S.Paulo, O Globo, CBN, Veja e Valor Econômico. Para pesquisadores de comunicação, esse tipo de ação não é neutro: ao associar sua marca à conferência e ao discurso de sustentabilidade, empresas altamente poluidoras buscam construir uma imagem positiva em meio a críticas ambientais.

A JBS é atualmente a maior produtora de proteína animal do mundo e, segundo relatório da ONG Profundo, lidera as emissões globais entre empresas do setor de carne — atividade intensiva em desmatamento e gases de efeito estufa. A presença da empresa na COP30, combinada ao patrocínio massivo à mídia, levanta preocupações sobre “palanque corporativo” em um evento que deveria priorizar discussões transparentes sobre crise climática.

Enquanto reforça seus projetos de regularização rural e recuperação de áreas degradadas, a companhia segue alvo de questionamentos sobre a distância entre iniciativas de marketing ambiental e impactos reais de suas operações. O contraste entre o discurso institucional apresentado na COP30 e o histórico de emissões da empresa mantém em debate o papel — e o limite — da influência corporativa na agenda climática global.