O câncer de colo do útero ganha um importante aliado no Sistema Único de Saúde. Nesta sexta-feira (15/8), o Ministério da Saúde iniciou a implantação do teste molecular DNA-HPV, tecnologia desenvolvida no Brasil pela Fiocruz e pelo Governo do Paraná. Capaz de identificar 14 genótipos do papilomavírus humano antes mesmo do aparecimento de lesões, o exame aumenta as chances de cura graças ao diagnóstico precoce e será disponibilizado inicialmente em 12 estados.
Ao substituir gradualmente o Papanicolau, o novo teste permite ampliar o intervalo entre rastreamentos para até cinco anos quando o resultado é negativo, reduzindo custos e evitando procedimentos desnecessários. A coleta será feita nas Unidades Básicas de Saúde, e a logística de processamento aproveita a infraestrutura de biologia molecular criada durante a pandemia de Covid-19, garantindo rapidez e eficiência.
Com 17.010 novos casos estimados por ano, o câncer de colo do útero é o terceiro mais incidente entre mulheres no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA) . Por isso, o teste DNA-HPV representa um marco no rastreamento organizado: cada estado inicia por um município e expande gradualmente até alcançar todo o território nacional até 2026, beneficiando cerca de sete milhões de mulheres entre 25 e 64 anos anualmente.
A nova estratégia do SUS também inclui autocoleta para populações vulneráveis ou com dificuldade de acesso a serviços de saúde. Mulheres em situação de rua, privadas de liberdade ou com resistência ao exame ginecológico poderão aprender a realizar a coleta em casa, entregando o material na UBS mais próxima. Esse recurso amplia o alcance do rastreamento e reduz barreiras culturais e geográficas.
Com apoio do Inca e de instituições como o Hospital Israelita Albert Einstein, a implementação contará com capacitação de profissionais e suporte diagnóstico avançado. O objetivo é reduzir de 25 para apenas cinco dias o tempo entre a coleta e o resultado, acelerando o início do tratamento e salvando vidas. Com o DNA-HPV, o Brasil se posiciona entre os países que adotam o que há de mais moderno para prevenir e combater o câncer de colo do útero.











