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PC faz operação contra grupo que aplicava golpes em sites falsos de leilões

Ação nacional cumpre 86 ordens judiciais em cinco estados; criminosos causaram prejuízos de mais de R$ 700 mil com fraudes online


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 22/10/2025 - 07:37

Foto: Polícia Civil Anápolis
Segundo as investigações, grupo criava páginas falsas na internet, impulsionava anúncios nas redes sociais e investia milhares de reais em publicidade para alcançar mais vítimas.

A Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia de Repressão aos Crimes Patrimoniais Eletrônicos (DPRCPE/DERCC), participa nesta quarta-feira (23) da Operação Mímesis, que visa desarticular uma organização criminosa interestadual especializada em golpes de falsos leilões virtuais.

A ação, coordenada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, cumpre 86 ordens judiciais em vários estados — 8 mandados de prisão preventiva, 30 de busca e apreensão, 12 medidas cautelares diversas da prisão, 32 bloqueios de valores em contas bancárias e 4 sequestros de veículos. As prisões foram realizadas em São Paulo (5), Goiás (2) e Santa Catarina (1), com apoio das polícias civis locais.

Golpe e prejuízos

As investigações começaram após dezenas de registros de vítimas que afirmaram ter comprado veículos e bens em sites falsos de leilões, mas nunca receberam os produtos. Apenas no Rio Grande do Sul, entre janeiro e agosto de 2025, foram identificadas 48 ocorrências, com prejuízo superior a R$ 700 mil.

Segundo a Polícia Civil, o grupo criava páginas falsas na internet que reproduziam com perfeição o layout de leiloeiros oficiais, e impulsionava os anúncios em redes sociais, investindo milhares de reais em publicidade para alcançar mais vítimas. Os pagamentos dos bens adquiridos nos leilões eram feitos via PIX para contas controladas pelos criminosos.

Estrutura do esquema

A investigação apontou que a organização era liderada por P.F.P.P., de 32 anos, em São Paulo, responsável por criar os sites e gerenciar o fluxo financeiro das fraudes. Ele contava com o auxílio da companheira, D.F.M., de 29 anos, identificada como centralizadora financeira do grupo. Sua conta pessoal movimentou R$ 2,3 milhões em apenas cinco meses, valor incompatível com sua renda declarada.

A polícia identificou ainda três núcleos de atuação:

  • Núcleo de Lavagem Empresarial, que mantinha empresas de fachada para movimentar cerca de R$ 6,5 milhões em valores ilícitos;

  • Núcleo Técnico, responsável pela infraestrutura digital dos sites e hospedagem das páginas falsas;

  • Núcleo Financeiro, encarregado de movimentar e pulverizar os valores com o uso de “laranjas” e depósitos fracionados.

Operação e apreensões

A ação mobilizou cerca de 150 policiais civis de seis estados — Rio Grande do Sul, São Paulo, Goiás, Santa Catarina, Amazonas e Pará. Foram apreendidos veículos, notebooks, celulares e documentos que servirão para aprofundar as investigações.

Também foram cumpridas medidas cautelares como recolhimento domiciliar noturno, proibição de contato entre investigados e restrição de viagens, além do bloqueio de R$ 800 mil em cada conta e o sequestro de quatro veículos, incluindo um de luxo.

Em nota, a Polícia Civil destacou que a operação reforça o compromisso com o combate qualificado ao crime cibernético e à lavagem de dinheiro, garantindo a responsabilização criminal de todos os envolvidos.