Skip to content

Pesquisadora brasileira lidera estudo com veneno de vespa contra Alzheimer

Luana Camargo, professora da UnB, testa molécula extraída da peçonha da Polybia Occidentalis que inibe agregação de proteínas no cérebro


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 28/01/2026 - 16:31

Pesquisa coordenada na UnB testa molécula bioinspirada em modelos animais. Foto: Reprodução/Unesp

A pesquisadora Luana Cristina Camargo, professora da Universidade de Brasília (UnB), lidera uma linha de pesquisa Doença de Alzheimer focada no desenvolvimento de novos fármacos a partir do veneno de vespas. Seu trabalho, iniciado no mestrado e aprofundado no doutorado na Alemanha, investiga uma molécula bioinspirada na peçonha da vespa Polybia Occidentalis, chamada octovespina“Meu foco de pesquisa consiste no desenvolvimento de novos fármacos para o tratamento da Doença de Alzheimer”, explica a cientista, que já observou efeitos promissores em modelos animais.

A octovespina demonstrou capacidade de inibir a agregação da proteína beta-amiloide, uma das causas da doença, e melhorar déficits cognitivos quando injetada diretamente no cérebro de camundongos. O desafio atual é tornar a entrega da substância ao cérebro mais eficiente. “Estudamos tanto o potencial de tratamento da octovespina pela via intranasal… quanto uma nanoformulação para facilitar a entrega por essa via”, detalha Luana. Parcerias com grupos de bioinformática buscam otimizar as propriedades farmacológicas do peptídeo.

A pesquisadora acredita que seu trabalho pode impactar a sociedade em múltiplas frentes sobre a Doença de Alzheimer , desde a redução de custos para o SUS até a valorização da biodiversidade brasileira. A formação internacional de Luana, com bolsas da Capes no programa Ciência sem Fronteiras (EUA) e no pós-doutorado, foi fundamental. Ela agora também desenvolve um modelo de barreira hematoencefálica com células humanas para reduzir o uso de animais nos testes.

Com financiamento da FAP-DF, a equipe já desenvolveu quatro novos compostos a partir de peptídeos naturais que se mostraram promissores em simulações computacionais (in silico) e estão em fase de estudo pré-clínico. A pesquisa Doença de Alzheimer coordenada por Luana Camargo representa, portanto, uma ponte entre a riqueza do Cerrado, a ciência de ponta e a busca por uma terapia eficaz contra uma doença neurodegenerativa que afeta milhões.

 

Com informações da Agência GOV.