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Pessoas com sobrenome Zampieri são atacadas na internet por conta do caso do cão Orelha, de SC

Ataques virtuais atingem pessoas sem qualquer ligação com o crime, enquanto Polícia Civil segue investigando maus-tratos que chocaram o Brasil


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 28/01/2026 - 11:22

Cão Orelha zampieri
(Foto: Reprodução)

A repercussão gerada pela morte do cão comunitário conhecido como Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis (SC), tem provocado não apenas pedidos por justiça, mas também uma onda de ataques virtuais direcionados de forma irresponsável a pessoas que não têm qualquer relação com o caso, como uma das famílias suspeitas de envolvimento nas agressões que levaram à morte do animal que possui o sobrenome Zampieri. A partir dessa informação, internautas passaram a atacar, ameaçar e expor nas redes sociais indivíduos que apenas compartilham o mesmo sobrenome, mesmo sem vínculo familiar ou qualquer envolvimento com os fatos investigados.

Um dos alvos desses ataques foi o estudante de medicina Pedro Zampieri, que diante da repercussão negativa e das ameaças recebidas envolvendo o caso Orelha, precisou publicar uma nota de posicionamento para esclarecer a situação. Em uma postagem nas redes sociais, Pedro afirmou: “Por causa de um sobrenome… Não sou parente, não tenho absolutamente nada a ver com isso! Vou tomar as devidas providências a todos que me acusarem de algo que não fiz.” A frase foi usada como legenda da publicação. Já na imagem do post, ele reforçou: “Estou recebendo várias ameaças e mensagens de ódio e acusações por causa de uma notícia. Quero deixar algo muito claro: não sou eu e não tenho qualquer envolvimento com esse caso.”

Enquanto isso, a Polícia Civil de Santa Catarina segue investigando, com apoio do Ministério Público, a autoria das agressões que resultaram na morte de Orelha, animal comunitário cuidado por moradores da região há cerca de dez anos. Na manhã de segunda-feira (26), foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos. As investigações apontam que um grupo de adolescentes teria praticado os maus-tratos, além de possíveis crimes de coação envolvendo adultos, incluindo familiares e um policial civil.

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Além desse episódio, a polícia também apura um segundo caso envolvendo um cão caramelo, que teria sido levado ao mar por um adolescente, mas conseguiu escapar. Segundo o delegado Ulisses Gabriel, quatro adolescentes são apontados como autores das agressões contra Orelha, enquanto três adultos estariam envolvidos em um esquema de coação para intimidar testemunhas durante o andamento do inquérito.

Em coletiva realizada nesta terça-feira (27), a Polícia Civil informou que indiciou três familiares dos adolescentes — pais e um tio — pelo crime de coação no curso do processo. Embora uma possível arma de fogo mencionada nas denúncias não tenha sido localizada, o inquérito sobre a coação já foi concluído.

O caso gerou forte mobilização nas redes sociais, com manifestações de moradores, ONGs e associações em defesa da memória do animal e por justiça. Autoridades estaduais também se pronunciaram. No entanto, especialistas alertam que ataques virtuais e julgamentos precipitados podem gerar novas vítimas, desviando o foco do devido processo legal e agravando situações de injustiça contra pessoas inocentes.