A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU) deflagraram nesta terça-feira (29) a Operação Korban para apurar suspeitas de desvio de recursos públicos envolvendo a Associação Moriá, uma ONG de Anápolis, mas com atuação também registrada no Distrito Federal. A investigação mira o uso de cerca de R$ 15 milhões em emendas parlamentares federais destinadas à realização de eventos de esportes digitais, principalmente os chamados Jogos Estudantis Digitais (JEDIS), executados entre 2023 e 2024.
A ONG de Anápolis, que recebeu ao menos R$ 90 milhões em repasses via 26 emendas nos últimos três anos, teria apresentado dados falsos para garantir os repasses, como o suposto atendimento de 3,5 milhões de jovens em Anápolis em apenas três meses — número nove vezes superior à população do município, estimada em cerca de 398 mil habitantes. Em nota, a entidade justificou que o número foi um erro de digitação e que o valor correto seria 3.500 atendimentos.
As investigações revelam ainda suspeitas de superfaturamento, ausência de prestação de contas adequada, uso de empresas de fachada e direcionamento em subcontratações. Algumas das empresas contratadas para os projetos teriam vínculos diretos com membros da própria associação, o que levanta indícios de conluio e simulação de concorrência. Um dos casos apurados aponta aluguéis de computadores com valores até 11 vezes superiores ao custo de aquisição.
Diante das irregularidades, o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou 17 mandados de busca e apreensão em quatro estados (DF, GO, PR e AC), além do bloqueio de contas bancárias e o sequestro de bens que podem chegar a R$ 25 milhões. Também foi determinada a suspensão imediata de repasses à Associação Moriá.
A maior parte dos recursos veio de emendas impositivas da bancada do Distrito Federal, com destaque para o senador Izalci Lucas (PL), autor de parte dos repasses, e o deputado Fred Linhares (Republicanos), responsável por cerca de R$ 27 milhões. Ambos afirmaram que cumpriram seu papel institucional e que a responsabilidade pela execução cabe ao Executivo.
Apesar das justificativas da entidade sobre atuação legal e multidisciplinar, a Moriá está entre as dez ONGs listadas em relatório da CGU como alvos prioritários de auditoria. O Ministério do Esporte, que intermediou os convênios, informou que os recursos foram empenhados em gestão anterior e que apenas cumpre a liberação obrigatória por força das emendas impositivas. O caso segue sob investigação da PF.








