Apesar da narrativa recorrente entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de que o Pix teria sido uma criação de seu governo, documentos oficiais do Banco Central mostram que as bases do sistema de pagamentos instantâneos foram lançadas ainda em 2018, durante o governo de Michel Temer (MDB).
Segundo registros públicos do BC, foi em 21 de dezembro de 2018 que um grupo de trabalho formado por representantes do setor financeiro, escritórios jurídicos, consultorias e técnicos do governo concluiu os fundamentos do novo sistema. O projeto havia começado a ser discutido dois anos antes, em 2016, com o lançamento da Agenda BC+, por Ilan Goldfajn, então presidente da instituição.
O conceito do Pix, como ferramenta de transferência rápida, barata e segura, foi gestado ao longo de todo o segundo semestre de 2018, com destaque para a criação do Grupo de Trabalho de Pagamentos Instantâneos e do Laboratório de Inovações Financeiras e Tecnológicas (Lift). O nome “Pix” só surgiu em 2020, já no governo Bolsonaro, mas o desenvolvimento da plataforma já estava em estágio avançado e estruturado.
O lançamento oficial para o público ocorreu em novembro de 2020, durante a gestão de Roberto Campos Neto à frente do BC, que deu continuidade à Agenda BC+ — rebatizada de Agenda BC# — iniciada no governo Temer.
Testes e lançamento oficial
Com o conceito e o modo de funcionamento estabelecidos em 2018, o Banco Central comunicou, em agosto de 2019, que desenvolveu a base de dados e a assumiu a administração do sistema de pagamentos instantâneos. Segundo o órgão, a centralização da base de dados no BC “maximiza ganhos de escala e efeitos de rede típicos da indústria de pagamentos” e garante “o bom funcionamento do ecossistema de pagamentos”.
O nome Pix só foi lançado em fevereiro de 2020, um mês antes do início da pandemia de covid-19. Na ocasião, o então presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que a ideia partiu de uma demanda da população e que vinha sendo bastante discutida pelos Bancos Centrais como instrumento de pagamento barato, rápido, transparente e seguro.
Em outubro de 2020, uma resolução do BC estabeleceu a gratuidade do Pix para pessoas físicas e microempreendedores individuais (MEI). Até hoje, o Pix é gratuito para esses tipos de correntistas, exceto no caso de venda de produtos e de serviços por MEI.
Após testes internos e a adesão das instituições financeiras, o Pix foi lançado em caráter de teste em 3 de novembro de 2020, para uma fatia entre 1% e 5% dos clientes de bancos e em horários especiais. O lançamento oficial, com funcionamento 24 horas e para todos os clientes que criarem chaves Pix, só ocorreu duas semanas mais tarde, em 16 de novembro de 2020.
Em cinco anos, o Pix movimentou cerca de R$ 65 trilhões. Em junho deste ano, a ferramenta bateu o recorde mensal de movimentação, com R$ 2,866 trilhões transferidos, com 936 instituições financeiras participantes do sistema. Em novembro de 2020, mês de lançamento do Pix, foram movimentados R$ 25,869 bilhões, menos de 1% do volume registrado no mês passado.
Com informações da Agência Brasil








