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Saiba por quê Brigitte Bardot, que morreu neste domingo (28), estava “cancelada”

Ícone do cinema francês, atriz acumulou controvérsias políticas e condenações judiciais que marcaram sua imagem nas últimas décadas


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 28/12/2025 - 10:15

Brigitte-Bardot cancelada
(Foto: Reprodução)

A atriz francesa Brigitte Bardot morreu neste domingo (28), aos 91 anos. A informação foi confirmada pela fundação criada por ela para a defesa do bem-estar animal. A causa da morte não foi divulgada. Ícone do cinema nas décadas de 1950 e 1960, Bardot também foi, nos últimos anos, alvo de fortes críticas e rejeição pública — processo que hoje costuma ser descrito como “cancelamento”.

A rejeição à atriz não esteve relacionada à sua obra artística, mas às posições políticas e declarações públicas adotadas após sua aposentadoria do cinema, em 1973. Ao longo das décadas seguintes, Bardot se envolveu em uma série de polêmicas ao fazer declarações consideradas ofensivas a imigrantes, muçulmanos, judeus e homossexuais. Em 2004, ela foi condenada judicialmente por incitação ao ódio racial, após a publicação de um livro em que atacava comunidades estrangeiras na França. Outras condenações semelhantes ocorreriam nos anos seguintes, reforçando a deterioração de sua imagem pública.

Além disso, Brigitte Bardot tornou-se uma apoiadora declarada da extrema direita francesa, manifestando apoio a figuras como Jean-Marie Le Pen e, posteriormente, Marine Le Pen. Em um contexto de maior sensibilidade social e vigilância sobre discursos discriminatórios, suas falas passaram a ser amplamente criticadas por artistas, intelectuais e organizações de direitos humanos.

O contraste entre a artista e a personagem pública se tornou ainda mais evidente quando se revisita sua trajetória no cinema. Em O Desprezo, de Jean-Luc Godard, Bardot protagonizou um dos papéis mais emblemáticos da história do cinema moderno, rompendo com a imagem de mero símbolo sexual e integrando o núcleo da nouvelle vague francesa. Antes disso, já havia se tornado um fenômeno global com E Deus Criou a Mulher.

Após deixar as telas, Bardot passou a se dedicar integralmente à causa animal, área na qual obteve reconhecimento internacional. Ainda assim, suas posições ideológicas acabaram se sobrepondo ao legado artístico para parte do público contemporâneo.

Com sua morte, Bardot deixa uma herança marcada por extremos: de um lado, uma figura central da história do cinema; de outro, uma personalidade pública associada a discursos que a colocaram em choque com os valores predominantes do século XXI.