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Segurança: Goiás tem queda nas mortes violentas em 2024, mas preocupa por alta letalidade policial e feminicídios

Enquanto isso, o estado, assim como o restante do país, viu avanço de crimes digitais e fraudes


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 24/07/2025 - 11:06

CPE ANAPOLIS
Estado segue tendência nacional de redução da criminalidade, mas aparece entre os líderes em mortes causadas por policiais e figura no top 11 em número absoluto de feminicídios. (Foto: Reprodução)

Goiás registrou uma queda nas mortes violentas intencionais em 2024, acompanhando a tendência nacional apontada pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (24) pela Folha de S.Paulo. O estado alcançou uma taxa de 18,8 mortes por 100 mil habitantes — abaixo da média brasileira — e não têm municípios aparecendo entre as 20 cidades mais violentas do país, o que reforça uma relativa estabilidade na segurança pública.

No ranking nacional, Goiás ficou atrás de estados como Amapá, Bahia e Ceará em termos proporcionais, e apresentou desempenho melhor que unidades como Mato Grosso do Sul (18,7), Roraima (18,6) e Paraná (18,4). No entanto, apesar da redução no número total de homicídios dolosos e latrocínios, o cenário não é de tranquilidade.

Um dos principais pontos de atenção é a letalidade policial. Goiás foi o terceiro estado com maior proporção de mortes causadas por agentes de segurança pública dentro do total de mortes violentas: 27% das vítimas fatais no estado em 2024 morreram pelas mãos da polícia. Apenas Sergipe (28%) e Amapá (38%) tiveram índices mais elevados. A média nacional ficou em 14%. Embora o número absoluto de mortes por intervenção policial tenha caído no Brasil, a representatividade desse tipo de violência aumentou, especialmente em estados como Goiás.

Outro dado alarmante está relacionado aos crimes contra mulheres. O estado ocupou o 11º lugar no país em número de feminicídios, com 119 casos registrados ao longo de 2024. O número coloca Goiás à frente de regiões mais populosas e reforça a urgência de medidas mais eficazes de proteção às mulheres, mesmo com programas como a Patrulha Maria da Penha em operação.

Enquanto isso, o estado, assim como o restante do país, viu avanço de crimes digitais e fraudes — que desafiam as autoridades por sua complexidade e alcance transnacional. Por outro lado, crimes patrimoniais tradicionais, como roubos de celulares, apresentaram redução, segundo o levantamento. No entanto, os delitos envolvendo esses aparelhos passaram a integrar uma nova lógica do crime, segundo o Anuário, voltada à obtenção de bens e valores das vítimas por meio de fraudes e golpes. Como consequência, os casos de estelionato atingiram 2,16 milhões em 2024, o maior número desde o início da série histórica do Fórum, em 2018. O desafio, segundo a entidade, é enfrentar um tipo de crime que ultrapassa fronteiras físicas, políticas e administrativas, exigindo mais investimentos em investigação e perícia.

Especialistas em segurança pública destacam que a continuidade da queda na violência depende da integração entre repressão qualificada, investimentos em prevenção social e fortalecimento da inteligência policial. Com a PEC da Segurança em debate no Congresso e a intenção do governo federal de ampliar sua atuação no setor, o momento é visto como oportunidade para consolidar a redução da violência em Goiás — desde que os alertas com relação à atuação policial e à violência de gênero sejam enfrentados com prioridade.

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