A Polícia Civil de Goiás, por meio do Grupo de Investigação de Homicídios de Luziânia (5ª DRP), deflagrou nesta sexta-feira (28) a Operação Mão de Ferro, que resultou na prisão de seis pessoas apontadas como integrantes de uma organização criminosa especializada em agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro no Entorno do Distrito Federal. A ação contou com apoio da Polícia Militar de Goiás.
De acordo com a investigação, o grupo atuava há pelo menos dois anos, concedendo empréstimos irregulares a juros abusivos e utilizando violência física e psicológica para cobrar dívidas de vítimas. Ao longo desse período, a quadrilha teria movimentado mais de R$ 7 milhões através da agiotagem, valor que já foi bloqueado por ordem judicial como forma de desarticular o financiamento da operação criminosa.
Tapas na cara e ameaças com armas
Entre os presos está o sargento Hebert Póvoa, apontado como líder operacional do esquema. Segundo a Polícia Civil, ele teria atuado diretamente na cobrança de dívidas, utilizando ameaças, intimidação e agressões como forma de pressão. Vídeos que circulam na internet mostram a agressividade do homem em cobrar as dívidas. Em um deles, uma mulher foi gravada sentada na cama enquanto levava tapas no rosto. Em outro, outra mulher estava dentro do carro e era ameaçada todo o tempo sob a mira de uma arma.
A corporação investiga ainda a participação de outros dois policiais militares, que teriam atuado na segurança das ações e no contato com vítimas.
Advogada orava por dinheiro recebido no esquema de agiotagem
A força-tarefa também prendeu Tatiane Meireles, advogada e esposa do sargento. A investigação aponta que ela não apenas auxiliava juridicamente o grupo, como também participava da gestão do dinheiro arrecadado. Em um dos vídeos, a mulher ora pelo dinheiro recebido: “Te agradecemos, Senhor, porque o senhor nos faz grande perante nossos inimigos. Te pedimos, pai amado, que cada pessoa que receber esse dinheiro, que ela tenha gratidão. Que retorne para nós como um dinheiro abençoado, assim como nós abnençoamos essas pessoas”, diz a mulher.
Além dela, dois empresários do município teriam atuado como financiadores e articuladores do fluxo financeiro.
Como funcionava o esquema de agiotagem
As vítimas contraíam empréstimos com o grupo e, ao atrasarem pagamentos, eram obrigadas a negociar diretamente com integrantes da quadrilha. De acordo com o relatório policial, parte das cobranças era marcada por ameaças, agressões, coações e retenção de documentos — tudo com o objetivo de forçar a quitação da dívida.
A investigação aponta que havia uma cadeia de comando estruturada:
✔ Policiais realizavam cobranças e intimidações;
✔ A advogada atuava na blindagem legal e controle financeiro;
✔ Empresários movimentavam e sustentavam a lavagem do capital;
✔ Vítimas eram coagidas a pagar valores superiores ao empréstimo inicial.
Desdobramento
Todos os investigados foram presos em Luziânia e já foram transferidos para Goiânia, onde permanecem à disposição da Justiça. A Polícia Civil agora trabalha para identificar novas vítimas e possíveis ramificações do esquema em outras cidades do Entorno do DF.
A Operação Mão de Ferro é considerada um marco no combate à criminalidade financeira violenta no estado e mostra avanço da atuação integrada entre forças de segurança para desarticular organizações híbridas — compostas por civis, empresários e agentes públicos com função ativa nas extorsões.
Repostas
Em nota, a Polícia Militar de Goiás informou que a corporação teve conhecimento da operação da Polícia Civil e que não compactua com desvios de conduta e reitera seu compromisso com a ética, a legalidade e a transparência. As medidas administrativas cabíveis já foram adotadas e seguirão em estrita observância às normas internas.
A OAB disse que apura o caso.
Leia mais: Agiota armado invade casa em Anápolis para cobrar “dívida comprada”








