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TJGO adia decisão sobre valor mínimo em pedidos de delivery; setor teme impactos

Julgamento que discute se cobrança mínima em aplicativos pode configurar venda casada foi suspenso após pedido de vista


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 06/03/2026 - 08:04

delivery
(Imagem: Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)

O Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) adiou a decisão que pode redefinir as regras do delivery no Brasil. O julgamento da ação que questiona a cobrança de valor mínimo para pedidos feitos por aplicativos, como o iFood, foi suspenso após pedido de vista da desembargadora Ana Cristina Ribeiro Peternella França.

A análise ocorre na 7ª Câmara Cível do TJGO e envolve uma ação civil pública proposta pelo Ministério Público de Goiás (MPGO). O órgão argumenta que a exigência de um valor mínimo para concluir pedidos pode caracterizar prática abusiva, semelhante à chamada “venda casada”, proibida pelo Código de Defesa do Consumidor.

Por outro lado, representantes do setor de alimentação e da plataforma iFood defendem que a política de valor mínimo é necessária para garantir a viabilidade econômica das entregas. Segundo os advogados da empresa, o limite mínimo não é imposto pelo aplicativo, mas definido pelos próprios restaurantes de acordo com a realidade de cada negócio.

A defesa destacou ainda que a plataforma funciona como suporte para mais de 460 mil restaurantes e estabelecimentos parceiros em todo o país, muitos deles pequenos empreendedores que dependem do delivery para manter as operações.

Setor alerta para prejuízos

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) acompanha o caso e também se posicionou contra uma possível proibição do pedido mínimo. Segundo a entidade, a medida poderia gerar prejuízos logísticos e financeiros para milhares de estabelecimentos.

De acordo com representantes do setor, pedidos de baixo valor podem não cobrir custos envolvidos na preparação e entrega, como insumos, embalagens, mão de obra e taxas cobradas pelas plataformas. Nesse cenário, a retirada do valor mínimo poderia levar ao aumento de preços ou até à redução da oferta de produtos mais baratos no delivery.

Processo segue sem data para novo julgamento

Com o pedido de vista, o processo foi interrompido e ainda não há previsão para que o tema volte à pauta de julgamento no Tribunal de Justiça de Goiás. A decisão final poderá ter impacto não apenas no estado, mas também em todo o país, já que a prática é comum em diversas plataformas de entrega.

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