Skip to content

Universidade de Anápolis volta a protagonizar polêmica, agora envolvendo suplementos; entenda

Após caso de bolsa fraudulenta, UniEvangélica se vê no centro de escândalo nacional envolvendo testes não validados de whey protein


Redação Tribuna de Anápolis Por Redação Tribuna de Anápolis em 03/08/2025 - 09:17

Abaixo-assinado UniEVANGÉLICA Curso de Medicina Anápolis Feira do Empreendedor Universidade de Anápolis Unievangélica
A instituição agora está ligada a uma crise de grandes proporções no bilionário mercado de suplementos alimentares. (Foto: Reprodução)

A Universidade Evangélica de Goiás (UniEvangélica) de Anápolis, volta ao centro de uma controvérsia nacional. Após ser palco de um escândalo envolvendo o uso indevido de bolsas de estudo financiadas por recursos públicos, a instituição agora está ligada a uma crise de grandes proporções no bilionário mercado de suplementos alimentares. A denúncia, revelada em reportagem da Revista Piauí, expôs que testes laboratoriais feitos em suas dependências foram usados para sustentar acusações infundadas de adulteração contra dezenas de marcas de whey protein — incluindo líderes de mercado.

Tudo começou quando a Associação Brasileira de Empresas de Produtos Nutricionais (Abenutri), presidida por Marcelo Bella — que também é dono da Black Skull, uma das marcas concorrentes — apresentou laudos apontando “amino spiking” em 48 marcas. A prática, considerada irregular, consiste em aumentar artificialmente a quantidade de proteína declarada nos rótulos com aminoácidos baratos como glicina ou taurina. O problema: os exames foram realizados em 2022 nos laboratórios da UniEvangélica, que não fazem parte da Rede Brasileira de Laboratórios de Ensaio (RBLE) e, portanto, não são reconhecidos pela Anvisa.

Os documentos não apresentavam metodologia, tampouco assinatura de responsável técnico — exigências mínimas segundo a Resolução 302/2005 da própria Anvisa. A denúncia, inicialmente acolhida pela Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), levou à suspensão temporária da venda de diversos produtos em grandes plataformas de e-commerce como Mercado Livre, Amazon e Shopee, provocando prejuízos milionários ao setor. Apenas semanas depois, veio à tona que a Anvisa nunca reconheceu os testes, nem mantém qualquer parceria com a Abenutri.

Com a credibilidade dos laudos em xeque, fabricantes como Integralmédica, Max Titanium, Essential Nutrition e Dux recorreram à Justiça. A própria Anvisa se manifestou, desautorizando a associação e reforçando que apenas testes realizados em laboratórios credenciados possuem validade legal. A decisão judicial ordenou que a Abenutri removesse os testes do ar, fizesse retratação pública e indenizasse as marcas atingidas.

O episódio também levantou suspeitas sobre a imparcialidade da UniEvangélica, que mantém vínculos com a própria Black Skull. Um de seus pesquisadores, Rodolfo de Paula Vieira, atua no comitê de ética da Abenutri e aparece em eventos com camisetas da marca. A universidade chegou a divulgar em seu site uma parceria com a empresa para treinar fisicamente o BOPE, grupo de elite da PM do Rio de Janeiro — relação que a corporação negou oficialmente.

O caso soma-se a outro escândalo envolvendo a UniEvangélica, Universidade de Anápolis: o de uma estudante de medicina que teve a bolsa integral suspensa após exibir nas redes sociais uma rotina incompatível com a renda declarada. O episódio revelou falhas graves no Programa GraduAção, que financiava mensalidades com dinheiro público e foi suspenso após denúncias de irregularidades.

As duas polêmicas, embora de naturezas distintas, expõem fragilidades institucionais preocupantes. No caso dos suplementos, a utilização da estrutura universitária para validar acusações comerciais em benefício de uma marca associada à Abenutri lança dúvidas sobre o rigor ético e técnico da universidade.

Enquanto isso, a batalha judicial entre Abenutri e a Brasnutri — entidade mais representativa do setor — segue nos tribunais, com trocas de acusações, liminares e novas denúncias. O Ministério da Justiça, que inicialmente acatou as alegações da Abenutri, já admitiu erro e arquivou o processo contra as fabricantes. A associação agora tem 30 dias para justificar seus métodos e vínculos com laboratórios — incluindo o da UniEvangélica. A Abenutri, a BlackSkull, Marcelo Bella e a Universidade de Anápolis ainda não se pronunciaram sobre o assunto. O espaço segue aberto.