O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (UB), anunciou que viajará ao Rio de Janeiro nesta quinta-feira (30) para prestar apoio ao governo fluminense após a operação policial contra o Comando Vermelho (CV), que se tornou a mais letal da história do estado. A ação, batizada de Operação Contenção, foi realizada na terça-feira (28) nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte da capital fluminense, e mobilizou cerca de 2.500 agentes das forças de segurança.
Segundo a Defensoria Pública do Rio de Janeiro, o número de mortos já ultrapassa 130 pessoas, incluindo 128 civis e quatro policiais — dois deles do Bope e dois da Polícia Civil. Imagens feitas na manhã desta quarta-feira (29) mostraram corpos estendidos sob lonas na Praça da Penha, e moradores relataram que mais de 60 cadáveres foram retirados por civis de áreas de mata durante a madrugada.
O balanço oficial do governo fluminense ainda registra 64 mortos e 81 presos, entre eles Thiago do Nascimento Mendes, o “Belão”, apontado como operador financeiro do CV e braço direito do chefe da facção, Edgar Alves de Andrade, o “Doca” ou “Urso”. Durante a ação, a polícia apreendeu 93 fuzis — um número recorde — e enfrentou intensos confrontos armados, com helicópteros, drones, blindados e veículos de demolição em operação.
A Operação Contenção foi resultado de mais de um ano de investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e tinha como objetivo conter a expansão territorial do Comando Vermelho e cumprir 100 mandados de prisão, sendo 30 deles contra membros da facção de outros estados, como o Pará e Goiás. A Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) confirmou que quatro foragidos goianos ligados à facção — Éder Alves de Souza, Marcos Vinicius da Silva Lima, Adan Pablo Alves de Oliveira e Rafael Resende Ferreira — foram mortos durante a operação.
Durante videoconferência com os governadores Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Jorginho Mello (SC) e Mauro Mendes (MT), Caiado defendeu união nacional contra o narcotráfico e disse que “a ação do Comando Vermelho ultrapassa fronteiras e ameaça todo o país”. O governador também criticou o governo federal, acusando o presidente Lula de omissão: “Vivemos um estado de guerra, com o narcotráfico dominando parte do território nacional. Esses ataques devem ser tratados como terrorismo”.
Caiado afirmou que as forças de segurança de Goiás estão à disposição do Rio de Janeiro e que pretende demonstrar, com a visita, solidariedade e apoio irrestrito às forças fluminenses. “Cláudio Castro terá o que precisar. Estamos prontos para ajudar os policiais que enfrentam, na linha de frente, esses criminosos”, declarou o governador, que cumpre agenda em São Paulo antes da viagem.











