A sessão ordinária da Câmara Municipal de Anápolis, realizada nesta terça-feira (24.), evidenciou o racha político em torno da reposição salarial dos servidores públicos municipais. O tema ganhou força após assembleia conjunta das categorias, que rejeitou a contraproposta apresentada pela Prefeitura.
Na manhã do mesmo dia, o Sindicato dos Professores da Rede Municipal de Ensino de Anápolis (SINPMA) realizou assembleia conjunta com outras entidades sindicais — SindiAnápolis, Sinteea e SindSaúde — e rejeitou a proposta da Prefeitura, que prevê o parcelamento do índice de 4,26% do IPCA, sendo 2,26% em março e 2% em agosto, além do pagamento retroativo em cinco parcelas a partir de abril. A categoria defende a aplicação do índice de 5,4%, conforme o Piso Salarial Nacional do Magistério.
Na tribuna, o vereador Rimet Jules (PT) afirmou ter participado da assembleia e criticou a gestão municipal. Segundo ele, já se aproxima o terceiro mês de 2026 sem definição do reajuste. O parlamentar contestou o argumento de que o município teria atingido o limite prudencial de gastos com pessoal e criticou o que considera número elevado de cargos comissionados. “Os servidores não estão pedindo nada além do que é devido. O percentual da inflação é lei”, declarou, solidarizando-se com os trabalhadores e defendendo mobilização.
Em posição diferente, o vereador Jakson Charles (PSB) afirmou que o município enfrenta um “momento muito difícil” e atribuiu a situação a decisões tomadas no passado, como a implantação do Plano de Cargos e Vencimentos sem estudo atuarial adequado. Para ele, valorizar o servidor vai além do reajuste, incluindo pagamento em dia e garantia de aposentadoria. O parlamentar também disse que não faz apenas defesa do prefeito, mas do município, e citou a necessidade de responsabilidade fiscal. Jakson ainda declarou que existe uma “máfia dos atestados” na cidade, que, segundo ele, precisa ser combatida.
Com indicativo de paralisação já aprovado, mas ainda suspenso para continuidade das negociações, o impasse deve seguir nas próximas semanas e pode chegar novamente ao plenário da Câmara.
A reportagem do Tribuna de Anápolis entrou em contato com a Prefeitura para comentar as críticas e detalhar a situação financeira do município, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.











